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Por onde começar no grunge: 10 álbuns essenciais para entender o gênero

Por Redação RockFuel ·

Para quem ouviu Nirvana e quer conhecer mais. De Ten a Superunknown, passando pelo Dirt e pelo Temple of the Dog: os 10 discos que constroem um mapa completo do grunge.

Por onde começar no grunge: 10 álbuns essenciais para entender o gênero

Para quem é este guia

Para quem ouviu Nevermind e ficou querendo mais. Para quem conhece "Smells Like Teen Spirit" mas não sabe o que vem depois. E para quem quer entender o grunge como gênero — não só como um disco ou uma banda.

Esta lista não é uma votação de "melhor de todos os tempos". É uma seleção de dez álbuns que juntos constroem um mapa do gênero: as diferentes texturas, as diferentes intensidades e as diferentes formas que o som de Seattle tomou entre 1990 e 1994.

Como usar este guia

Os álbuns estão organizados por ponto de entrada, do mais acessível ao mais desafiador. Se você está chegando agora, comece pelos primeiros. Se já conhece o básico, vá direto para os que ainda não ouviu. E se quiser entender o grunge de ponta a ponta, ouça na ordem.

Os 10 álbuns essenciais

1. Nirvana — Nevermind (1991)

O ponto de partida óbvio — e continua sendo o melhor. Lançado em 24 de setembro de 1991, Nevermind chegou ao primeiro lugar da Billboard em janeiro de 1992, desbancando Michael Jackson. Butch Vig produziu um disco que equilibrou sujeira punk com refrões pop grandes o suficiente para chegar a qualquer rádio. "Smells Like Teen Spirit" foi a porta de entrada, mas o disco inteiro sustenta. "Come As You Are", "Lithium" e "Something in the Way" mostram que havia muito mais além do single.

Por onde entrar: "Come As You Are" → "Drain You" → o disco inteiro, na ordem.

2. Pearl Jam — Ten (1991)

Lançado em 27 de agosto de 1991, antes do Nevermind, Ten chegou devagar e ficou para sempre. Demorou quase um ano para chegar ao top 10 da Billboard, mas vendeu mais de 13 milhões de cópias só nos Estados Unidos. Eddie Vedder trouxe um barítono que não existia no rock alternativo até então, e a banda — Stone Gossard, Jeff Ament, Mike McCready e Dave Krusen — construiu um som mais próximo do hard rock dos anos 70 do que do punk que inspirava o Nirvana.

"Alive", "Jeremy" e "Black" são três músicas completamente diferentes que mostram o alcance da banda num único disco.

Por onde entrar: "Alive" → "Black" → "Jeremy".

3. Alice in Chains — Dirt (1992)

Lançado em 29 de setembro de 1992, no mesmo dia que o Core do Stone Temple Pilots, Dirt é o disco mais pesado desta lista e o menos fácil de encaixar num único rótulo. Jerry Cantrell escreveu a maior parte das músicas; Layne Staley cantou sobre heroína, culpa e autodestruição — "Rooster" fala do padrasto dele no Vietnã — com uma voz que parecia carregar cada palavra.

Chegou ao número 6 da Billboard e foi eleito por Loudwire o melhor disco de hard rock de 1992. É intenso, mas é recompensador.

Por onde entrar: "Them Bones" → "Rooster" → "Would?".

4. Soundgarden — Superunknown (1994)

Lançado em 8 de março de 1994, Superunknown estreou em primeiro lugar na Billboard — algo raro para uma banda de metal pesado — e ganhou dois Grammys. São 70 minutos e 14 faixas que misturam grunge com psicodelia, metal e blues. Chris Cornell está no pico da voz aqui. "Black Hole Sun" virou o clipe mais estranho que a MTV já exibiu.

"Spoonman", "Fell on Black Days" e "The Day I Tried to Live" mostram que o Soundgarden era capaz de ser enorme e experimental ao mesmo tempo. É o disco mais ambicioso desta lista.

Por onde entrar: "Black Hole Sun" → "Spoonman" → "Fell on Black Days".

5. Temple of the Dog — Temple of the Dog (1991)

Andrew Wood, vocalista do Mother Love Bone, morreu de overdose de heroína em março de 1990. Chris Cornell, seu ex-companheiro de quarto, escreveu um álbum de tributo e reuniu os músicos que estavam se tornando o Pearl Jam para gravá-lo. Foram 15 dias de gravação em fins de 1990. Eddie Vedder, que ainda mal conhecia Cornell, entrou nos vocais de "Hunger Strike" e entregou uma das performances mais memoráveis do gênero.

O disco não fez muito barulho no lançamento, mas quando Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden explodiram em 1991 e 1992, os fãs foram buscar o Temple of the Dog — e encontraram um dos melhores discos daquele período.

Por onde entrar: "Hunger Strike" → "Say Hello 2 Heaven" → o disco inteiro.

6. Soundgarden — Badmotorfinger (1991)

Lançado em 8 de outubro de 1991 (o mesmo mês do Nevermind), Badmotorfinger foi opacado pelo estouro do Nirvana, mas construiu a base que tornaria o Superunknown possível. O Soundgarden tinha sete anos de estrada quando esse disco saiu; Cornell e o guitarrista Kim Thayil já tinham desenvolvido uma linguagem própria, mais agressiva e mais estranha do que a maioria das bandas de Seattle.

"Jesus Christ Pose", "Rusty Cage" e "Slaves & Bulldozers" mostram uma banda que não estava tentando fazer sucesso no rádio — e chegou lá mesmo assim, depois que o grunge explodiu.

Por onde entrar: "Rusty Cage" → "Jesus Christ Pose" → "Outshined".

7. Stone Temple Pilots — Core (1992)

O Stone Temple Pilots não era de Seattle (a banda era de San Diego) e pagou caro por isso durante anos. A crítica os tratou como oportunistas surfando na onda do grunge. Mas Core, lançado no mesmo dia que o Dirt do Alice in Chains, vendeu mais de 8 milhões de cópias nos Estados Unidos.

Scott Weiland era um vocalista fora do comum, e "Plush", "Creep" e "Wicked Garden" mostram uma banda que entendeu o que o público queria ouvir naquele momento — e entregou.

Por onde entrar: "Plush" → "Creep" → "Wicked Garden".

8. Nirvana — In Utero (1993)

Lançado em 21 de setembro de 1993, In Utero foi a resposta do Nirvana ao sucesso do Nevermind — e a resposta foi deliberadamente mais difícil. Steve Albini produziu com som cru e sem concessões. A Geffen pediu remixes de "Heart-Shaped Box" e "All Apologies" para o rádio; Kurt resistiu tanto quanto pôde. O resultado foi um disco mais agressivo, mais estranho e mais honesto do que Nevermind. "Rape Me", "Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle" e "Pennyroyal Tea" formam um lado B que vale o disco inteiro.

Por onde entrar: "Heart-Shaped Box" → "Rape Me" → "All Apologies".

9. Pearl Jam — Vs. (1993)

Se Ten foi o Pearl Jam descobrindo o próprio tamanho, Vs. foi a banda tentando resistir a ele. Lançado em 19 de outubro de 1993, o disco estreou no número 1 da Billboard e vendeu 950 mil cópias na primeira semana — um recorde na época. A banda estava em guerra com a Ticketmaster por taxas abusivas, recusando entrevistas e videoclipes. Esse atrito aparece na música: "Go", "Animal" e "Rearviewmirror" são mais agressivas do que qualquer coisa em Ten.

"Daughter" e "Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town" mostram que Vedder continuava escrevendo letras que ninguém mais escrevia no rock daquele momento.

Por onde entrar: "Daughter" → "Rearviewmirror" → "Go".

10. Alice in Chains — Facelift (1990)

O ponto de partida. Facelift, lançado em 21 de agosto de 1990, foi o disco que estabeleceu o Alice in Chains como a banda mais pesada e mais metal de Seattle. "Man in the Box" chegou à MTV e ao rádio antes do estouro do grunge, abrindo caminho para tudo que viria depois.

O disco inteiro soa mais próximo do metal do que o Dirt, mas foi esse desequilíbrio — grunge com DNA de heavy metal — que deu ao AIC uma identidade que nenhuma outra banda de Seattle tinha. Ouvir o Facelift depois do Dirt é entender como a banda chegou lá.

Por onde entrar: "Man in the Box" → "We Die Young" → "Sea of Sorrow".

E depois destes 10?

  • Nirvana — MTV Unplugged in New York (1994): a versão acústica que mostrou o que estava por baixo do ruído.
  • Pearl Jam — Vitalogy (1994): mais experimental e mais pessoal do que Vs., Vedder em colapso criativo e inspirado ao mesmo tempo.
  • Stone Temple Pilots — Purple (1994): melhor do que Core em quase tudo, debut ao número 1.
  • Soundgarden — Louder Than Love (1989): para entender de onde Badmotorfinger veio.
  • Mudhoney — Superfuzz Bigmuff (1988): para ouvir o grunge antes de virar gênero.

Análise RockFuel

O que estes 10 discos mostram juntos é que o grunge nunca foi um som único. Era um rótulo que a imprensa colou em bandas que compartilhavam uma cidade, uma estética e um momento — mas que soavam completamente diferentes entre si. Nirvana era punk com melodia pop; Pearl Jam era hard rock com letra literária; Alice in Chains era metal com harmonias vocais sombrias; Soundgarden era rock progressivo com Chris Cornell na frente.

O que eles tinham em comum não era o som — era a postura. Nenhuma dessas bandas parecia estar tentando agradar. Cada disco nesta lista soa como algo que existia antes de alguém decidir que tinha público. E talvez por isso o grunge tenha envelhecido tão bem: não foi feito para um momento, foi feito apesar de um momento.

Quem ouviu Nevermind e quer entender o resto vai encontrar nesses dez discos não um gênero coeso, mas algo mais interessante: cinco bandas completamente diferentes que coincidiram no mesmo lugar e no mesmo ano, e que juntas mudaram para onde o rock estava indo.

Fontes e referências

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