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Poppy: a youtuber robótica que virou a primeira mulher solo indicada ao Grammy de metal

Por Redação RockFuel ·

Os vídeos esquisitos de 2014 viraram carreira no metal industrial, duas indicações ao Grammy e um número 1 inédito ao lado de Amy Lee e Courtney LaPlante.

Poppy: a youtuber robótica que virou a primeira mulher solo indicada ao Grammy de metal

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Em 2014, quem caía no canal de Poppy no YouTube encontrava uma jovem de voz pausada e olhar fixo, falando frases curtas sobre fama e internet como se fosse um robô aprendendo a ser gente. Os vídeos eram curtos, estranhos e não explicavam nada. Seis anos depois, a mesma artista entrou para a história do Grammy como a primeira mulher em carreira solo indicada a Melhor Performance de Metal.

Por trás do personagem está Moriah Rose Pereira, nascida em Boston em 1º de janeiro de 1995. Antes da persona robótica, ela postava covers e músicas folk no YouTube e no SoundCloud como Moriah Poppy. A virada veio depois da mudança para Los Angeles, onde conheceu o produtor Titanic Sinclair, parceiro criativo da fase que a tornou conhecida na internet.

Os primeiros discos, Poppy.Computer (2017) e Am I a Girl? (2018), ainda eram pop eletrônico com um pé na sátira da cultura da fama, e o segundo já flertava com guitarras de nu metal. O salto veio com I Disagree, de 2020, lançado pela Sumerian Records no mesmo período em que ela encerrou a parceria com Sinclair. É um disco que joga bubblegum pop contra riffs industriais pesados, às vezes dentro da mesma faixa, e foi a primeira entrada dela na Billboard 200.

O single "Bloodmoney" rendeu a indicação ao Grammy de 2021. Ela perdeu para "Bum-Rush", do Body Count, mas o registro ficou: nenhuma mulher em carreira solo tinha sido indicada naquela categoria antes. À revista Revolver, Poppy contou que recebeu a notícia dirigindo, e que o primeiro pensamento foi não bater o carro. Na mesma entrevista, lembrou que o metal é um gênero dominado por homens de ponta a ponta.

Depois disso, ela se recusou a ficar parada num formato. Flux (2021) puxou para um rock alternativo cru, com cara de anos 90. Zig (2023) foi para o industrial e o eletrônico. Negative Spaces (2024) misturou synth pop e punk e trouxe uma retomada da crítica. No mesmo ano, ela apareceu em "V.A.N", do Bad Omens, e em "Suffocate", do Knocked Loose, parceria que rendeu a segunda indicação ao Grammy de Melhor Performance de Metal, perdida para "Mea Culpa", do Gojira.

A fase mais recente trouxe os maiores números da carreira. "End of You", gravada com Amy Lee (Evanescence) e Courtney LaPlante (Spiritbox), saiu em setembro de 2025 e, em fevereiro de 2026, chegou ao topo da parada Mainstream Rock Airplay da Billboard. Foi a primeira vez, em 45 anos de parada, que três mulheres ou grupos liderados por mulheres dividiram um número 1.

Em janeiro de 2026 veio Empty Hands, sétimo disco, com participação do produtor Jordan Fish, ex-Bring Me the Horizon, que estreou em 7º lugar na parada de álbuns de hard rock da Billboard.

O público brasileiro já viu essa virada de perto. A estreia de Poppy no país foi no Knotfest Brasil, em outubro de 2024. Um ano depois, ela voltou como atração de abertura do Linkin Park em Curitiba (5 de novembro), São Paulo (8) e Brasília (11), e ainda encaixou um show solo no Cine Joia, em São Paulo, no dia 6.

Análise RockFuel: dá para olhar para Poppy com desconfiança, e muita gente do metal olhou. Uma ex-youtuber de personagem robótico chegando ao Grammy de metal parecia jogada de marketing. O que desmonta essa leitura é a sequência: sete discos em menos de dez anos, cada um puxando para um lado, e parcerias com bandas como Knocked Loose, Bad Omens e Babymetal, que não precisam de carona para vender ingresso.

O mais curioso é que o estranhamento dos primeiros vídeos nunca foi abandonado, só trocou de roupa. A artista que ironizava a fama na internet hoje usa o peso do metal para falar de controle e identidade. Discutível? Sempre. Mas poucos nomes da geração dela atravessaram tantos gêneros sem perder a própria cara.

Fontes e referências

  • Poppy

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