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O vocalista de rock sem formação musical que virou a voz oficial da Disney

Por Redação RockFuel ·

Ele passou 17 anos como vocalista de uma banda de rock, nunca teve formação musical formal e virou compositor definitivo de um clássico Disney — cantando o protagonista com a própria voz.

O vocalista de rock sem formação musical que virou a voz oficial da Disney

Curiosidade RockFuel

Existe uma conexão entre rock e Disney que não tem nada a ver com covers de banda tocando trilha sonora. Ela está escondida num detalhe que a maioria dos fãs de A Estranha Excursão de Jack ignora: o homem que criou a trilha sonora inteira do filme, e que empresta a própria voz ao protagonista Jack Skellington, nunca teve treinamento musical formal. Ele era vocalista de banda de rock.

Danny Elfman passou 17 anos como líder da Oingo Boingo, banda de Los Angeles que começou como uma trupe teatral avant-garde chamada The Mystic Knights of the Oingo Boingo, nos anos 70, antes de migrar para um som new wave influenciado por ska e depois para um rock mais direto de guitarra, na virada dos anos 80 para os 90. A banda emplacou hits como Dead Man's Party e Weird Science, e Elfman escrevia praticamente tudo.

A virada para o cinema começou quase por acaso. Em 1980, seu irmão mais velho, Richard Elfman, dirigiu o filme Forbidden Zone, baseado nas apresentações teatrais da trupe original. Danny compôs a trilha e interpretou o próprio Satanás no filme. Foi sua primeira experiência criando música para tela — e ele nem sabia ler partitura da forma tradicional.

O encontro que mudaria tudo aconteceu em 1985. Tim Burton, então um diretor estreante, convidou Elfman para compor a trilha de Pee-wee's Big Adventure. Elfman ficou apreensivo, justamente pela falta de formação formal, mas contou com a ajuda do guitarrista e arranjador da Oingo Boingo, Steve Bartek, para orquestrar as ideias. Elfman descreveu ouvir sua música tocada por uma orquestra completa pela primeira vez como uma das experiências mais emocionantes da vida dele.

Dali em diante, Elfman se tornou o compositor definitivo de Burton, assinando a trilha de praticamente todos os grandes filmes do diretor nas décadas seguintes — Batman, Edward Mãos de Tesoura, Grande Peixe, Alice no País das Maravilhas — com raríssimas exceções, entre elas Ed Wood, período em que os dois tiveram um desentendimento sério.

Mas foi em 1993 que a conexão com a Disney ficou definitiva. Elfman não só compôs toda a trilha de A Estranha Excursão de Jack, lançada pela Walt Disney Records, como também deu voz cantada ao protagonista Jack Skellington — a mesma pessoa que gritava em cima do palco com a Oingo Boingo agora cantava como o Rei das Abóboras dentro de um filme Disney. O álbum chegou a ser indicado ao Globo de Ouro de Melhor Trilha Original.

Décadas depois, o filme reforçou publicamente a ponte entre gerações do rock: na edição especial de 2006, relançada em 3D, o disco ganhou um bônus com covers das canções originais gravados por Fall Out Boy, Panic! at the Disco, Fiona Apple, She Wants Revenge e, principalmente, Marilyn Manson — uma banda associada a décadas de pânico moral conservador cantando uma trilha licenciada pela própria Disney.

Elfman voltou a interpretar Jack Skellington ao vivo diversas vezes, incluindo apresentações no Hollywood Bowl acompanhadas de orquestra completa e coral, e chegou a se apresentar dentro do próprio parque temático, na atração sazonal Haunted Mansion Holiday da Disneyland. Em 2015, ele recebeu o título de Disney Legend, uma das maiores honras que a empresa concede — o mesmo homem que uma vez interpretou o Diabo num filme B experimental de baixo orçamento.

Análise RockFuel

A carreira de Danny Elfman mostra algo que raramente se discute sobre a fronteira entre rock e cultura mainstream: às vezes ela não é derrubada por fora, é dissolvida por dentro, por alguém que nunca pediu permissão para pertencer aos dois mundos ao mesmo tempo.

Um vocalista de banda de rock sem formação clássica se tornando peça central da identidade sonora de um estúdio conhecido justamente pela tradição musical mais polida da história do entretenimento não é uma anomalia isolada. É a prova de que talento nunca respeitou muito bem as fronteiras que a indústria tenta desenhar.

Fontes e referências

  • Oingo Boingo

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