Antes do Slipknot, Corey Taylor acordou dentro de um dumpster aos 15 anos
Por Redação RockFuel ·
Antes de ser o vocalista com a máscara mais famosa do metal, Corey Taylor era um adolescente de 15 anos que acordou dentro de um dumpster após overdose. Essa é a história que antecede tudo.
Curiosidade RockFuel
Antes de ser o vocalista com a máscara mais reconhecível do metal, Corey Taylor era um adolescente de 15 anos sem sapatos, sem camiseta, com sangue no rosto, deitado dentro de um dumpster numa rua de Des Moines, Iowa. Não era personagem de letra de música. Era a vida real dele.
Corey Todd Taylor nasceu em 8 de dezembro de 1973 em Des Moines, criado praticamente sozinho pela mãe depois que o pai saiu antes mesmo de ele nascer. Sua infância foi marcada por uma instabilidade constante: a família se mudou tantas vezes em busca de trabalho que, segundo ele mesmo, tinha morado em 25 estados diferentes antes de completar 15 anos.
Quando encontrou uma espécie de ponto fixo em Waterloo, Iowa, numa comunidade de trailers à beira do rio, o adolescente Corey encontrou também as drogas. Em entrevista à revista Revolver, ele descreveu aquele ambiente sem romantismo: havia poucas opções de vida, e ele foi pelo caminho de menor resistência. Cocaína, anfetamina, o que aparecer. A frase que resumiu aquele período foi simples e direta: não existia propósito para continuar acordado a não ser se entorpecer.
Em determinado momento, Corey fugiu de casa com 15 anos e passou um período vivendo nas ruas de Des Moines. Em entrevista ao Rolling Stone em 2017, ele contou o que aconteceu numa noite de overdose: as pessoas com quem andava acharam que ele tinha morrido e foram embora. Ele acordou dentro de um dumpster. Sem sapatos, sem camiseta, com sangue no rosto — sozinho.
'Essa foi a primeira vez em que vi o abismo dentro de mim que poderia realmente me ferrar', ele disse. Era a primeira vez que encarava o fato de ter um problema real. Levariam ainda cerca de dez anos para que ele conseguisse lidar de verdade com isso.
Dois anos depois, aos 17, morando com a avó, Corey tentou suicídio. A mãe de uma ex-namorada o levou ao hospital. Os médicos conseguiram reanimá-lo. Em todas as vezes que relatou esse período, Corey não dramatizou: apenas descreveu o que aconteceu, sem fazer do próprio passado um cartão de visita de redenção fácil.
O que salvou Corey Taylor não foi um único evento ou uma revelação instantânea. Foi a música. Ele tinha descoberto desde cedo que cantava bem; a avó chegou a comprar equipamentos para apoiar o talento do neto. Stone Sour foi fundado em 1992, quando ele tinha 18 anos, em Des Moines. Em 1997, foi convidado por Joey Jordison, Shawn Crahan e Mick Thomson para se juntar ao Slipknot como o sexto integrante de um grupo que então tinha nove membros.
Corey escolheu o número 8 como o seu dentro da banda porque, segundo ele, o número representa o infinito: sem começo nem fim. É a escolha de alguém que quase ficou sem futuro e decidiu não ter limite para o que podia fazer.
Hoje, Corey Taylor é um dos vocalistas mais versáteis do metal moderno, capaz de atravessar do grito ao falsete dentro da mesma música. É autor de livros, ativista de saúde mental e fronts de duas das maiores bandas americanas de rock e metal simultaneamente. Mas o Corey Taylor que sobe ao palco diante de milhares de pessoas é o mesmo que acordou dentro de um dumpster em Des Moines com 15 anos.
Análise RockFuel
A história de Corey Taylor não é de superação no sentido que a indústria do entretenimento costuma empacotar. Não tem redenção cinematográfica, reviravolta perfeita nem moral bonita. Tem um caminho que ele mesmo descreveu como demorado, bagunçado e construída ao longo de anos, não de um momento isolado.
O que ela tem de interessante é o contraste: o vocalista que usa máscara no palco, que ajuda a criar um dos espetáculos mais intensos e físicos do metal ao vivo, carrega por baixo uma história de alguém que passou anos sem conseguir se ver no futuro. É esse contraste, entre o caos de palco e a clareza que custou caro, que explica boa parte do peso que a voz dele carrega.