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A última música que The Rev escreveu para o Avenged Sevenfold — três dias antes de morrer

Por Redação RockFuel ·

The Rev entregou a última faixa do disco e disse que aquele era o fim para o álbum. Três dias depois, ele estava morto. A história por trás de Nightmare, do Avenged Sevenfold.

A última música que The Rev escreveu para o Avenged Sevenfold — três dias antes de morrer

Curiosidade RockFuel

Existe uma história dentro da discografia do Avenged Sevenfold que poucos fãs recentes conhecem por completo: a de como o álbum Nightmare, de 2010, nasceu de uma perda que quase fez a banda parar de existir — e de uma última música que ganhou um significado assustador só depois que foi entregue.

James Owen Sullivan, o baterista conhecido como The Rev, era um dos principais compositores do Avenged Sevenfold desde o álbum anterior, o disco homônimo de 2007, contribuindo com riffs, estruturas e ideias musicais completas além do próprio ritmo. No fim de 2009, a banda já tinha demos prontas de um álbum conceitual ambicioso, descrito por eles mesmos como o disco mais pessoal e mais sombrio que já tinham feito.

Em 28 de dezembro de 2009, Sullivan foi encontrado morto em sua casa em Huntington Beach, na Califórnia, aos 28 anos. Meses depois, o laudo do legista do condado de Orange concluiu que a morte foi acidental, causada pela combinação de analgésicos com álcool. O laudo também apontou que Sullivan tinha o coração aumentado, uma condição que pode ter contribuído para o desfecho.

O detalhe mais perturbador da história envolve a última música que ele escreveu. Segundo o vocalista M. Shadows, Sullivan entregou a faixa que batizou de Fiction — apelido que ele mesmo usava — dizendo que aquela era a última canção para o disco. Três dias depois, ele estava morto. A música tinha começado com um título ainda mais direto: Death.

O impacto na banda foi tão grande que, segundo o próprio Shadows contou depois, chegaram a considerar terminar o Avenged Sevenfold ali mesmo. A decisão de continuar veio depois de um período de luto e reflexão, e nasceu da vontade de terminar o que eles chamavam de obra-prima de Jimmy.

Para completar o álbum sem seu baterista original, a banda chamou Mike Portnoy, então baterista do Dream Theater e um dos ídolos declarados de Sullivan. Portnoy tocou as partes de bateria que The Rev já tinha composto, deixando claro publicamente que não estava ali para substituir ninguém, apenas emprestando as próprias baquetas para tocar o que o amigo tinha deixado escrito.

Os vocais de Sullivan, gravados antes de sua morte, permaneceram no disco como parte do tributo — inclusive na própria Fiction, que se tornou um dueto entre ele e M. Shadows dentro do álbum. O guitarrista Synyster Gates descreveu o momento em que a faixa ficou pronta em estúdio como um instante mágico e especial dentro de todo o processo de gravação.

Nightmare foi lançado em 27 de julho de 2010 e estreou direto no topo da Billboard 200, vendendo mais de 163 mil cópias na primeira semana — o primeiro número um da carreira do Avenged Sevenfold, e feito que tirou o álbum Recovery, de Eminem, do topo da parada depois de cinco semanas consecutivas ali.

O disco foi certificado como disco de ouro pela RIAA em 19 de janeiro de 2011, poucas semanas antes do que seria o 30º aniversário de Sullivan.

Análise RockFuel

A história por trás de Nightmare mostra algo que raramente se discute sobre luto dentro de uma banda: a diferença entre parar e continuar não é sobre esquecer, é sobre terminar o que já estava em movimento. O Avenged Sevenfold não fez um disco sobre a morte de Sullivan. Fez o disco que ele já estava escrevendo, com a ajuda de quem restou.

O sucesso comercial de Nightmare, consolidado logo nas primeiras semanas após o lançamento, mostra como aquele trabalho seguiu vivo depois dele. Às vezes a homenagem mais honesta não é um discurso, é simplesmente terminar o trabalho.

Fontes e referências

  • Avenged Sevenfold

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