The Pretty Reckless e o peso da vida em 'Dear God': entre riffs, perdas e resiliência
Por Redação RockFuel ·
No meio da correria de turnês e perdas pessoais, Taylor Momsen e The Pretty Reckless encaram Dear God como um retrato brutal da vida real, e do peso de ser rock’n’roll na pele.

Imagem: Foto: Reprodução / metal-hammer.de
Uma banda consumida pelo rock e pelo desafio de criar
Desde sua formação, The Pretty Reckless têm mostrado um compromisso quase obsessivo com o rock como estilo de vida. Em 2026, durante o preparo do álbum Dear God, a vocalista Taylor Momsen fez uma exigência curiosa ao seu agente: só atender chamadas de AC/DC ou The Rolling Stones. Nada mais.
O estúdio fervilhava tensão e uma busca pelo impossível que, segundo a cantora, tinha um quê mágico. Era um esforço intenso para cristalizar um som e um conceito que representassem não só a banda, mas uma verdade cruenta da própria vida.
Do isolamento à tempestade de oportunidades
A ideia inicial era focar completamente em Dear God, sem distrações mecânicas básicas como dormir ou comer direito. Mas a realidade do rock'n'roll às vezes tem outros planos: tanto AC/DC quanto The Rolling Stones ligaram para convidar The Pretty Reckless para abrir suas turnês. O projeto do disco precisou ir para o congelador.
Momsen relembra o medo de que essa interrupção comprometesse o trabalho que mal tinha começado, uma preocupação legítima diante do imediatismo do negócio. Ainda assim, o tempo provou que a banda conseguiu equilibrar os episódios: as gravações aconteceram nos intervalos das turnês, sem maiores percalços.
Perdas pessoais e o peso da amizade
Quando tudo parecia se encaminhar, a dura realidade bateu à porta. Em 2025, a morte da atriz Michelle Trachtenberg, amiga próxima de Taylor desde os tempos da série Gossip Girl, afetou profundamente a cantora. A relação transcendia a tela e tinha raízes de apoio e companheirismo além das câmeras.
Momsen fala da dor que não passa, do choque que fica e de uma tristeza que nunca se dissolve, só se integra. Para lidar com essa ausência, escreveu 'Devil In Disguise (Michelle's Song)', uma homenagem que reverbera na honestidade brutal das letras do novo álbum.
Entre sombras da fé e declarações intensas
Além do luto, Dear God carrega marcas claras de questionamentos sobre religião e espiritualidade, temas que atravessam as músicas com uma franqueza pouco encontrada no mainstream. Não se trata de uma negação direta, mas de um diálogo aberto, às vezes desconfortável, com crenças que mexeram com Taylor desde a infância. Essa pegada mais profunda e pessoal acrescenta camadas ao som já conhecido da banda, que mistura força e vulnerabilidade sem suavizar o impacto.
Resistência como matéria-prima
The Pretty Reckless não fogem dos pesares que a vida impõe. Para quem acompanha a banda desde Light Me Up, lá em 2010, essa nova fase traz um choque de maturidade que não desliga o motor do rock cru. Enquanto muitas bandas se contentam em produzir apenas entretenimento, Taylor Momsen lança mão das experiências mais duras para criar algo que desafia o ouvinte a encarar o próprio lado sombrio.
A tensão entre a luta pessoal e o espetáculo do palco ganha significado quando entendemos o contexto dessas gravações, interrompidas por turnês históricas e marcadas por perdas reais. A resistência e a persistência são tão parte da música quanto os riffs.
The Pretty Reckless e o público brasileiro
The Pretty Reckless construiu, mesmo que de forma gradual, uma base fiel de fãs no Brasil. O rock pesado e as letras carregadas de emoção crua dialogam bem com a cena alternativa brasileira, que sempre valorizou autenticidade acima de qualquer polimento comercial.
O hard rock e o heavy metal seguem com raízes profundas em diversas regiões do país, e um álbum tão carregado de vida, dor e reflexão quanto Dear God tem tudo para ampliar ainda mais esse alcance. A expectativa entre o público nacional cresce a cada lançamento, e a história da banda, marcada por superação e honestidade, ressoa de forma particular num país que conhece bem o peso de seguir em frente.