Scott Ian revela como eram os primeiros shows do Anthrax nos anos 80
Por Redação RockFuel ·
Scott Ian conta como as primeiras apresentações do Anthrax eram bem diferentes dos shows cheios de clássicos que a gente conhece hoje. Confira essa viagem pelo início da carreira da lenda do thrash metal.

Imagem: Foto: Gene Ambo - Island Records / whiplash.net
Ascensão numa garagem e porão de igreja
O Anthrax não nasceu gigante. Antes de lotar arenas e se tornar um dos pilares do thrash metal, o quinteto dava os primeiros passos em ambientes bem mais modestos. Scott Ian, guitarrista e um dos fundadores da banda, abriu o jogo em entrevista de 2017 à Metal Hammer e contou como eram os shows do Anthrax lá no começo, no início dos anos 80.
Em 1981, o thrash metal ainda engatinhava. O Anthrax estava construindo seu som e a maioria das apresentações era tomada por covers. Não era hora de setlist recheado de composições próprias — até porque elas eram poucas — e o objetivo era mais se divertir do que montar grandes espetáculos.
Um repertório regido pela NWOBHM
Scott detalhou que o grupo tocava muita música da primeira onda do heavy metal britânico, especialmente Iron Maiden, Saxon e Judas Priest. Essas foram as principais influências naquele momento inicial, refletidas diretamente nas covers escolhidas. Entre as poucas composições próprias, já despontavam as primeiras tentativas de criar o que viraria a identidade do Anthrax.
As apresentações rolavam em espaços simples e acessíveis — como o porão de uma igreja, onde chegavam a vender ingressos para os próprios amigos. Sem produção, sem público numeroso; tudo era mais uma reunião de pessoas que gostavam da mesma coisa. Uma época de experimentação, tentativa e erro, com a banda ainda construindo a base para o que viria depois.
De covers a clássicos do thrash
O salto do Anthrax aconteceu quando eles começaram a lançar discos que até hoje são referência. Spreading the Disease (1985) e Among the Living (1987) trouxeram um som mais maduro, com riffs cortantes, letras afiadas e aquela energia que converteu o quinteto em nome imprescindível do thrash. Hoje, depois de mais de 40 anos em atividade, eles ainda tocam em grandes festivais e não deixam de lado faixas que grudaram na memória dos fãs, como "Caught in a Mosh", "Indians" e "Madhouse" — além do cover de "Got the Time", que anima qualquer setlist ao vivo.
Cursum Perficio e os próximos passos
Em 2026, o Anthrax prepara o lançamento de Cursum Perficio, seu primeiro álbum em quase uma década. O título em latim, que pode ser traduzido como "Eu completo meu curso", promete marcar uma nova etapa na carreira da banda. A expectativa aqui no RockFuel é ver se, depois de tantos anos, eles ainda carregam aquela inquietação dos primeiros tempos — mesmo que não estejam mais num porão de igreja vendendo ingresso para os amigos.
Análise RockFuel
Ouvir Scott Ian falar sobre os primórdios do Anthrax é um ótimo lembrete de que as maiores bandas quase sempre começam de forma simples e despretensiosa. Sem glamour, sem plateia enlouquecida no primeiro show — só vontade de tocar, afinar o som e compor. Essa simplicidade importa, porque cria um vínculo genuíno com os fãs que acompanharão a banda por décadas.
O fato de o grupo ter se alimentado da New Wave of British Heavy Metal também diz muito: o thrash metal, tão associado aos Estados Unidos, tem raízes claras do outro lado do Atlântico. O Anthrax funciona como ponte entre essas duas cenas, pegando o melhor do heavy metal britânico e incrementando com velocidade e agressividade.
Cursum Perficio chega num momento em que a banda já tem reputação consolidada — mas isso não significa acomodação. Pelo histórico de Scott Ian e companhia, dá para esperar um disco que respeita as origens enquanto busca uma nova voz. É esse equilíbrio que vai manter o Anthrax relevante no circuito e no coração dos headbangers do Brasil e do mundo.
Com informações de Como eram os primeiros shows do Anthrax, segundo Scott Ian.