Rush surpreende em segunda noite no Forum com raridades e setlist surpresa
Por Redação RockFuel ·
Rush pegou a galera de surpresa no segundo show em Los Angeles, tocando músicas que não apareciam há mais de uma década e fazendo a clássica suíte '2112' completa pela primeira vez desde 1997.

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com
Rush reinventa show em Los Angeles com escolhas ousadas
Depois de 11 anos longe dos palcos, Rush voltou com força total em Los Angeles. Na segunda apresentação no Forum, dia 9 de junho, o setlist fugiu do roteiro da estreia e entregou mais raridades para os fãs — uma ousadia que poucos grupos do rock progressivo teriam coragem de fazer, ainda mais após a perda de Neil Peart, em 2020.
A turnê batizada de Fifty Something propõe revisitar a carreira da banda de forma dinâmica, sem fórmula fixa. O vocalista e baixista Geddy Lee deixou claro antes mesmo do início: uma lista engessada de músicas não faria sentido para um repertório tão extenso e complexo. Em entrevista recente, ele falou sobre o desafio de apresentar esse universo à nova baterista, Anika Nilles, mergulhando fundo em clássicos e pérolas que carregam o DNA de Peart.
Anika Nilles substitui Neil Peart com técnica e identidade própria
Nilles já havia recebido elogios na estreia, em 7 de junho, e manteve o nível no dia 9. Não é pouca coisa ocupar o posto do lendário Peart, unanimidade entre os maiores bateristas do rock. Ela traz uma energia diferente — menos teatral, mais técnica — e isso ajuda a banda a explorar faixas menos óbvias sem perder coesão no palco.
A segunda noite abriu igual à primeira, com Xanadu e The Spirit of Radio. Mas logo a banda sacou do baú The Analog Kid, pela primeira vez em 11 anos, além de Leave That Thing Alone — fora do setlist desde 2011 — e The Trees, ausente desde 2008. A homenagem a Peart permeou o show inteiro, com destaque especial para Bravado.
'2112' completo e surpresas que só os fãs raiz entenderiam
Se na primeira noite a suíte épica 2112 apareceu em versão compacta, na segunda veio inteira: de Overture até Grand Finale. Foi a primeira vez desde 1997 que o Rush trouxe a sequência completa ao palco, incluindo segmentos raros como Discovery, Oracle e Soliloquy.
O repertório ainda contou com mais estreias na turnê, entre elas Animate, Closer to the Heart e A Passage to Bangkok. No total, foram 28 músicas — 14 diferentes da noite anterior. Uma atitude nada óbvia para uma banda que preza pela excelência técnica e pela atmosfera de cada canção. Um presente para quem acompanha cada detalhe e conhece a profundidade dessa discografia.
Análise RockFuel
O que a gente vê aqui é um Rush que quer dizer que ainda está vivo — mas não de forma melancólica, revivendo o passado no piloto automático. Tem desafio, tem apego ao repertório monumental, mas dá para perceber que a banda quer fazer um show que fale com o fã mais ardoroso, aquele que sabe a diferença entre um setlist seguro e um que respira o DNA real da banda.
Enquanto tantas veteranas apostam no caminho do óbvio — hits que todo mundo conhece, sem risco nenhum —, o Rush trouxe faixas quase esquecidas e uma fluidez difícil de encontrar hoje. A escolha de Anika Nilles pode ter gerado polêmica em parte do público, mas ela mostrou que consegue respeitar a herança de Peart e ainda abrir espaço para o próprio estilo. Isso é bom para a música e para os fãs que não querem só nostalgia, mas experiência de verdade.
Romper com formatos pré-definidos numa turnê é exatamente o tipo de postura que a gente aqui do RockFuel valoriza. Correr risco, não entregar algo formatado para agradar o maior número possível de pessoas — isso é atitude de quem ainda tem algo a dizer. Quem estiver na estrada para acompanhar pode esperar surpresas e um mergulho em um dos catálogos mais sólidos do rock progressivo.
Para os fãs brasileiros, que sempre representaram um dos públicos mais devotos do rock progressivo na América Latina, a ausência histórica do Rush em palcos brasileiros é uma das grandes lacunas da cena. Mesmo sem nunca ter tocado oficialmente por aqui, a influência da banda sobre gerações de músicos e ouvintes brasileiros é inegável — e cada notícia sobre os shows desperta aquela esperança eterna de uma visita ao país.
Com informações de Rush Deliver Surprise-Filled Second Show With Even More Rarities.