Rush retoma os palcos com nova formação em show de reencontro prometido há anos
Por Redação RockFuel ·
Após quase uma década longe dos palcos, Rush voltou a se apresentar, trazendo uma nova formação que honra o passado e trabalha o presente com muita personalidade.

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com
O retorno inesperado do Rush
Depois de mais de dez anos sem subir ao palco, Rush voltou a se apresentar ao vivo na noite de 17 de junho de 2023 no Forum, em Los Angeles. A ocasião foi histórica não só pelo retorno em si, mas pela nova configuração da banda — que agora conta com duas novidades para manter viva a chama do que Geddy Lee, vocalista e baixista, chamou simplesmente de "mais de 50 anos de música".
A última vez que o grupo pisou num palco foi em 1º de agosto de 2015, também no Forum, encerrando a turnê R40. Aquele parecia ser o adeus definitivo. A morte de Neil Peart, o lendário baterista, em 2020, parecia fechar de vez qualquer porta para uma reunião. Mas Lee e Alex Lifeson mostraram que o amor pelo Rush não morre fácil.
Uma nova Rush — com emoção e respeito a Neil Peart
O retorno veio embalado pela turnê batizada de Fifty Something, anunciada em outubro passado. Para o lugar de Peart, a banda incorporou a baterista alemã Anika Nilles, cuja técnica chamou a atenção da crítica e dos fãs já na estreia. Loren Gold assumiu os teclados ao vivo, expandindo o power trio original para um quarteto — o que trouxe novas possibilidades sonoras e um cuidado evidente em honrar a memória do amigo e companheiro de palco.
As emoções começaram antes mesmo de a banda entrar em cena: um curta-metragem com participações especiais do mundo do rock aqueceu o Forum antes do show. Quando Lee e Lifeson finalmente subiram ao palco, a escolha foi abrir com "Xanadu", faixa do álbum A Farewell to Kings (1977) — raramente usada como abertura. Um começo fora da rotina que deixou claro desde o primeiro acorde que essa volta não seria protocolar.
No repertório, "Limelight" e "Freewill" levaram a plateia ao delírio, com punhos no ar e a celebração coletiva de riffs que são parte da história do rock. Mas a festa também teve reverência: cinco músicas depois, imagens de Neil Peart em várias fases da carreira tomaram as telas, enquanto sua voz em áudio emocionava ao falar da paixão pela bateria. A sequência desembocou em "Bravado", um tributo explícito acompanhado de fotos do baterista.
Setlist, amizade e um momento South Park
"The Spirit of Radio" fechou o primeiro set com uma energia que fez o Forum vibrar do chão ao teto. Depois do intervalo, vieram três faixas do álbum 2112 (1976), incluindo "Overture" e "The Temples of Syrinx", reafirmando o peso dos momentos monumentais da discografia do Rush. O segundo ato ainda reservou um instante especial: a cantora Aimee Mann dividiu o palco com a banda em "Time Stand Still", música de 1987 que nunca havia sido tocada ao vivo com ela antes.
Ao longo da noite, Lee e Lifeson demonstraram toda a técnica e a conexão que os tornam únicos — tanto musicalmente quanto como amigos de cinco décadas. A química permanecia intacta. E Nilles? Sublime. A baterista enfrentou um desafio de proporções imensas ao ocupar o lugar de Peart e saiu-se de forma brilhante, conquistando o carinho e o respeito imediato de uma plateia que lhe deu as boas-vindas com entusiasmo genuíno.
Um episódio divertido ainda colocou o desenho South Park na roda, em um curta onde personagens discutem letras do Rush antes de a banda retornar ao palco para tocar "Tom Sawyer". O bis com "By-Tor & The Snow Dog" — tocada pela primeira vez em mais de vinte anos — encerrou a noite antes do memorável "Working Man" deixar o recado final: o Rush está vivo e disposto a seguir.
Análise RockFuel
A gente aqui do RockFuel encara essa volta do Rush quase como um daqueles riffs inesperados que surgem do nada e te arrepiam a nuca. Não é nostalgia barata nem repetição do passado — é um encontro entre história e presente. A inclusão de Anika Nilles e Loren Gold exigiu coragem e respeito para um projeto tão delicado, e em nenhum momento a banda tentou disfarçar o espaço que Neil Peart ainda ocupa em tudo.
Quem esperava um substituto tentando imitar o falecido baterista pode esquecer. Nilles traz o próprio estilo sem pedir licença, e isso dá um frescor e uma dinâmica nova ao som da banda. Para fãs de longa data pode ser um choque inicial, mas a reação calorosa do público mostrou abertura para o novo sem abrir mão das raízes.
O setlist comprova que Lee e Lifeson sabem exatamente o que estão fazendo nessa volta. Eles equilibram clássicos do Rush progressivo mais denso com momentos acessíveis e emblemáticos, sem cair em repetições óbvias nem em um exercício de nostalgia vazia.
É bom ver que essas duas lendas preferiram manter a chama acesa ajudando a banda a evoluir. Aqui no RockFuel, a gente fica de olho e torce para esse roteiro continuar — porque, para quem é fã de rock de verdade, isso tem significado real.
No Brasil, onde o prog rock cultivou uma base de fãs extraordinariamente fiel, a notícia do retorno do Rush foi recebida com empolgação e também com aquela frustração velha conhecida: sem datas na América do Sul. A esperança de que a turnê inclua pelo menos uma passagem pelo Brasil segue viva — e os fãs brasileiros, que raramente são contemplados quando se trata de grandes nomes do progressivo, prometem pressão constante por isso.
Com informações de Rush Play First Reunion Show With New Lineup - Setlist + Video.