Rock im Park 2026: Volbeat e Ice Nine Kills comandam abertura com energia aflita e riffs afiados
Por Redação RockFuel ·
A abertura do Rock im Park 2026 em Nürnberg trouxe de tudo: da raiva política de Tom Morello à teatralidade sombria do Ice Nine Kills. Volbeat fecha a noite com altos e baixos.

Imagem: Foto: Florian Stangl. All rights reserved. / metal-hammer.de
Um começo úmido e promissor em Nürnberg
Na sexta-feira, 6 de junho de 2026, o Rock im Park abriu suas portas no gramado do Dutzendteich, em Nürnberg, sob uma garoa fina que parecia testar a resistência de quem estava ali. Mas o clima colaborou: temperaturas em torno dos 20 graus tornaram o ambiente confortável para encarar uma noite longa. Quem deu o pontapé inicial foi The Pretty Reckless, com sua mistura de rock cheio de atitude e riffs sujos. A abertura com "Death By Rock And Roll" deixou claro que a banda não estava ali para fazer número.
Taylor Momsen apareceu mais ajustada e segura do que nunca. A adição de um segundo guitarrista ao vivo deu peso extra a faixas recentes como "For I Am Death" e "When I Wake Up". A pegada bluesy do guitarrista Ben Phillips somou personalidade à apresentação, que ganhou um toque especial numa anedota sobre morcegos durante "Witches Burn".
Tom Morello e seu ativismo pulsante
Depois de um início literalmente frio, Tom Morello promoveu um aquecimento político de peso. O ex-Rage Against The Machine não perdeu a chance de engajar o público diretamente contra o fascismo, levantando cartazes e inserindo mensagens de protesto ao longo do set. O medley com clássicos como "Bombtrack" e "Killing In The Name" teve força total, ainda que o público nem sempre estivesse afiado nas letras.
O destaque ficou com "Like A Stone", sucesso dos tempos do Audioslave — um momento para respirar entre tanto peso. Para fechar, Morello mergulhou nas influências e encerrou sua participação com referências a John Lennon e Kiss.
Da energia do Three Days Grace ao peso core do Landmvrks
Logo depois, Three Days Grace trouxe Adam Gontier de volta aos vocais e entregou uma sessão de riff-rock sem frescura, com sucessos como "The Mountain" e "I Hate Everything About You". A vibe foi de energia pura, preparando o terreno para a novidade da noite: o metalcore do Landmvrks. O guitarrista Paul "C. Wilson" Cordebard apareceu com uma camiseta alusiva ao Queens Of The Stone Age, enquanto a banda despachava faixas agressivas como "Sulfur" e fazia o público pular em "Scars".
Ice Nine Kills transforma o palco num pesadelo dos anos 80
A disputa com o Electric Callboy rendeu a quem escolheu o Ice Nine Kills uma apresentação que pareceu um filme de horror em forma de show. A pegada teatral foi pesada: clipes perturbadores e encenações dignas do trash dos anos 80. Spencer Charnas e sua trupe impressionaram com "Wurst Vacation" e contaram com a participação do trompetista John Christianson e do saxofonista Matt Appleton, ambos do The Real Big Fish, em "Ex-Mortis".
Os momentos mais marcantes foram a dramatização da clássica cena de banho de Psycho em "The Shower Scene" e a pesada "Stabbing In The Dark", que inseriu uma faca no palco de forma quase simbólica. A surpresa ficou por conta de Alissa White-Gluz, que apareceu em "Twisting The Knife" para um dueto tão brutal quanto o clima geral do show.
Volbeat fecha a noite entre altos e baixos
Volbeat, liderado por Michael Poulsen, encerrou a noite com seu som característico, mas deixou algumas arestas. O próprio frontman pareceu frustrado em certos momentos, e a entrada para "Ring Of Fire" ficou dispersa, sem a conexão esperada com o público. Ainda assim, a banda compensou com faixas pesadas e conhecidas, como "The Devil's Bleeding Crown" e o raro retorno ao vivo de "Guitar Gangsters & Cadillac Blood".
O setlist apostou no álbum God of Angels Trust, com destaque para a provocativa faixa de título extenso — repleta de riffs dominantes e melodias marcantes — que arrancou reação da galera.
Bad Omens e o anúncio que mexe com o futuro do festival
Para fechar o primeiro dia, Bad Omens trouxe seu metalcore que equilibra peso e melodia, sustentado por uma produção bombástica que reforça a aura do grupo em ascensão. O show funcionou como ponto de equilíbrio para uma noite longa e intensa.
E por falar em futuro, o anúncio do headliner de 2027 não deixou dúvidas: o público pode esperar o retorno do pop-punk com Blink-182, que também estará no Rock am Ring. Uma escolha que provavelmente dividiu os fãs mais tradicionais, mas sinaliza a diversidade que o festival busca nos próximos anos.
Análise RockFuel
O Rock im Park 2026 manteve firme a tradição de jogar na cara do público uma mistura de estilos dentro do rock pesado, sem ignorar a cena atual. The Pretty Reckless provou que não está ali por acaso, Tom Morello segue sendo voz ativa e símbolo de resistência, e o Ice Nine Kills resgata e atualiza o conceito de show como espetáculo — misturando música e narrativa de um jeito quase teatral.
O Volbeat mostrou que, mesmo com uma base sólida, manter o clima num evento desse tamanho é um desafio real, especialmente diante de um público tão diverso. Já o Bad Omens veio para provar que o metalcore ainda tem energia e espaço para palcos grandes, com um apelo moderno que ressoa forte na audiência jovem.
O anúncio do Blink-182 para 2027 reabre um velho debate sobre o rumo do festival: é para quem quer atitude pesada, ou para um público mais aberto? A gente acredita que sempre vai ter espaço para quem quer viver o rock de verdade — mas costurar gerações dentro do mesmo festival nunca foi tarefa simples.
No fim das contas, o Rock im Park 2026 não decepcionou: entregou peso, atitude, engajamento e aquela pitada de caos controlado que a gente espera.
O Volbeat, que já marcou presença em solo brasileiro em edições passadas do Monsters of Rock, tem uma base de fãs crescente por aqui — e cada festival europeu em que a banda aparece em destaque reforça a expectativa por um retorno ao país. O Rock im Park é um dos maiores do continente, e a repercussão de shows como esse chega ao Brasil em tempo real pelas redes sociais.
Com informações de Rock im Park: Volbeat & Ice Nine Kills läuten Festival ein.