Radiohead descarta novo álbum por enquanto: “foi horrível fazer o último”
Por Redação RockFuel ·
Depois do turbilhão de A Moon Shaped Pool, Radiohead não pensa em álbum novo tão cedo. Ed O’Brien explica: o último disco foi “horrível de fazer”.

Imagem: Foto: Reprodução / nme.com
Radiohead entre o passado recente e a indefinição do futuro
Depois do reencontro em 2025 e de uma turnê que reacendeu a chama dos fãs, o Radiohead segue calando as expectativas sobre um novo disco. Ed O'Brien, guitarrista da banda, foi direto ao ponto em entrevista ao NME: o grupo nem chegou a conversar sobre um próximo álbum. E o principal motivo? O desgaste brutal de criar A Moon Shaped Pool, de 2016 — que, segundo ele, foi "horrível de fazer".
A declaração joga uma luz pouco discutida sobre um disco cultuado por crítica e fãs. O'Brien revelou que o processo criativo daquele trabalho foi tão pesado que ainda lança sombra sobre o grupo. Ele brinca que talvez só daqui a seis anos o assunto volte à pauta. Isso diz muito sobre a relação da banda com seu próprio processo artístico — e deixa claro que nem sempre a perfeição sonora de um álbum vem sem custo alto.
Turnê sim, estúdio não
O que chama atenção é o contraste com a retomada dos shows. A turnê de 2025, com apresentações em cidades como Madrid, Londres e Berlim, recebeu aval positivo dos integrantes, que destacam a energia do público e a sensação única do ao vivo. Jonny Greenwood confessou que nem esperava que a tour fosse acontecer e que curtiu o reencontro. Thom Yorke admitiu o esforço físico, mas falou em momentos inesquecíveis — como a primeira noite em Madrid.
Mesmo assim, todos mantêm o pé no freio quando o assunto é composição. Greenwood frisou que, para lançar algo novo, precisariam começar ainda este ano — e mesmo assim os fãs só teriam novidade em 18 meses. O'Brien confirma o foco nos shows, com planos de até 20 apresentações por ano, em continentes diferentes.
Projetos solo e a pausa necessária
Desde A Moon Shaped Pool, os membros seguem produtivos, mas fora da formação clássica. Yorke e Greenwood investem no The Smile, projeto com três álbuns lançados — o mais recente, Cutouts, saiu em 2024. Yorke também participou do trabalho de Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers. Já O'Brien lançou seu primeiro disco solo, Blue Morpho, no fim do ano passado. A essência criativa segue viva — só que em outras frentes.
Análise RockFuel
A sinceridade de O'Brien soa como um alívio para quem esperava novidade iminente — e ao mesmo tempo reforça algo que a gente sempre bate: banda lendária não é máquina de fazer disco. São pessoas, com altos, baixos e esgotamentos reais. O processo de A Moon Shaped Pool parece ter sido um peso sério o suficiente para fazer o quinteto recuar fundo.
A turnê de 2025 funciona, então, como um respiro — um reencontro genuíno com o público, longe da pressão de estúdio e lançamentos. A ausência de planos claros para um novo álbum mostra maturidade: o grupo respeitando seus próprios limites. Curioso, porém, que mesmo com a boa repercussão dos shows — incluindo um recorde na O2 em Londres — ninguém se sinta pronto para voltar ao estúdio.
Esse ritmo ajuda a explicar por que o Radiohead permanece gigante mesmo com pouco material novo. Eles construíram uma aura que vale tanto quanto a frequência de lançamentos. Que isso sirva de lição para quem confunde produtividade com qualidade.
Por enquanto, quem quiser acompanhar o que o grupo tem feito deve buscar as carreiras solo e paralelas — que não deixam a peteca cair. A volta definitiva fica para quando eles estiverem prontos. Não quando a indústria mandar.
No Brasil, onde o Radiohead tem um dos públicos mais devotos da América do Sul — com shows esgotados no Lollapalooza Brasil de 2019 em minutos —, a notícia de que um novo álbum não está nos planos imediatos é recebida com resignação e compreensão. A banda sabe do tamanho dessa base por aqui, e o silêncio criativo só aumenta a expectativa para quando o próximo passo vier.
Com informações de Radiohead have “not even talked about another record”.