ROCKFUEL

Quando o rato encontra o riff: os melhores covers de Disney no rock e metal

Por Redação RockFuel ·

A apuração encontrou dois títulos de música trocados na cobertura anterior — Weezer nunca regravou 'Cruella de Vil', e o Alkaline Trio não cobriu o tema do Muppet Show. Eis a versão corrigida.

Quando o rato encontra o riff: os melhores covers de Disney no rock e metal

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com

Por que rock e metal se encantam pelas músicas da Disney

Cobrir uma música da Disney parece atalho fácil: a audiência já existe, as melodias já são conhecidas por milhões de fãs. Mas o que chama atenção nessas versões não é a estratégia — é a variedade de bandas com sonoridades opostas ao universo Disney que decidiram encarar essas canções, do metalcore ao punk, do nu-metal ao hardcore melódico.

Os covers mais marcantes

O Arcade Fire regravou "Baby Mine", de Dumbo, para o live-action de 2019. A canção original toca enquanto a mãe elefante, presa numa jaula de circo, tenta alcançar o filho — e a versão da banda preserva esse peso emocional quase intacto.

Matt Heafy, vocalista do Trivium, tem um desafio recorrente na própria live de Twitch: aprender e apresentar uma música em até 60 minutos, sugerida pelos seguidores. Em 2019 o desafio caiu em "The Bare Necessities", do Livro da Selva — e Heafy chegou a imitar as vozes originais do desenho de 1967.

Em 2024, o Simple Plan regravou "Can You Feel the Love Tonight", do Rei Leão, sem tentar copiar Elton John: transformaram a faixa num pop-punk que soa como qualquer outra música do catálogo da banda.

A banda ALL — formada pelo restante do Descendents quando Milo Aukerman saiu do grupo, no fim dos anos 80 — gravou "Chim Chim Cher-ee", de Mary Poppins, numa versão que mistura peso e melodia sem soar como punk tradicional.

A banda de Pittsburgh Tethra, conhecida por covers metalcore no estilo Killswitch Engage, transformou "Evermore", do live-action da Bela e a Fera (2017), numa construção que cresce por quase dois minutos antes de explodir.

O Tallah lançou em 2021 o EP Talladdin, com cinco covers de Aladdin — entre eles "Friend Like Me". A curiosidade: o baixista da banda é Max Portnoy, filho de Mike Portnoy, do Dream Theater.

Patrick Stump, do Fall Out Boy, regravou "I Wan'na Be Like You", do Livro da Selva, sem tentar imitar o rouquidão original de Louis Prima — entregando vocais cheios de alma no lugar disso.

O Magnolia Park levou "I2I", de Pateta: O Filme, para o repertório de shows em 2026, numa versão pop com toque de guitarra pesada que não soa nada como o nu-metal habitual da banda.

A Disney passou a usar covers como estratégia de marketing: no encerramento de Frozen II (2019), Brendon Urie, do Panic! at the Disco, cantou "Into the Unknown" — escolha que aproveitou o reconhecimento de nome do vocalista com o público de rock.

O Korn regravou "Kidnap the Sandy Claws", de O Estranho Mundo de Jack, para a coletânea Nightmare Revisited (2008) — álbum tributo que também reuniu The All-American Rejects, Rise Against e Plain White T's.

O New Found Glory tem uma série própria dedicada a covers de trilha sonora, a From the Screen to Your Stereo, já com três volumes. O terceiro, de 2019, trouxe "Let It Go", de Frozen, em versão pop-punk acelerada.

O Weezer regravou "Lost in the Woods", também de Frozen II, para os créditos finais do filme — mesma estratégia promocional usada com o Panic! at the Disco.

O Andrew W.K. surpreendeu ao cobrir "Mickey Mouse Club March", tema do programa de TV Mickey Mouse Club (1955), transformando a marcha original numa pancada feita para agitar pit.

O Alkaline Trio regravou "Movin' Right Along", duelo vocal entre Kermit e Fozzie em O Show dos Muppets (1979) — a interação entre Matt Skiba e Dan Andriano reproduz bem a dinâmica dos dois personagens.

O Me First and the Gimme Gimmes incluiu uma versão punk de "Rainbow Connection", também dos Muppets, no álbum Are a Drag (1999) — disco inteiro dedicado a covers de musicais.

Em 1995, o Vandals colocou "Supercalifragilisticexpialidocious", de Mary Poppins, no caminho do punk com duas referências escondidas ao Bad Religion: a introdução vem de "Fuck Armageddon... This Is Hell", e o breakdown, de "We're Only Gonna Die" (1982).

O No Resolve, banda de Detroit que só começou a fazer sucesso com covers de pop nos últimos anos, regravou "Surface Pressure", de Encanto (2021), na mesma linha de releituras que já incluiu Adele, Taylor Swift e Michael Jackson.

Gene Simmons, do Kiss, gravou "When You Wish Upon a Star", de Pinóquio, em 1978, no álbum solo que lançou junto aos outros três integrantes da banda naquele ano — uma das versões mais fiéis ao original desta lista.

Marilyn Manson deu sua própria versão a "This Is Halloween", de O Estranho Mundo de Jack, e o Flyleaf regravou "What's This", da mesma trilha — as duas fazem parte do mesmo tributo Nightmare Revisited (2008) que reuniu o Korn.

Mais recente: o Meet Me @ the Altar regravou "You've Got a Friend in Me", de Toy Story, para a coletânea A Whole New Sound (2024), com 12 covers de bandas punk e alt-rock.

Análise RockFuel

O padrão por trás dessas covers não é só oportunismo comercial. A Disney percebeu, com Frozen II e depois com coletâneas como Nightmare Revisited e A Whole New Sound, que encomendar covers de artistas de rock e metal amplia o alcance de uma trilha sonora para um público que normalmente não procuraria essas músicas.

Do lado das bandas, o cálculo também funciona: uma cover de Disney bem-feita chega a ouvidos que talvez nunca tivessem ouvido metalcore ou punk antes. O resultado raramente soa como jogada de marketing pura — muitas dessas versões, como as do Tethra ou do Gene Simmons, entregam algo genuinamente criativo, não apenas familiar.

Fontes e referências

← Mais notícias