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Metallica desafia banimento e toca clássico proibido no Principality Stadium

Por Redação RockFuel ·

Metallica quebra as regras do Principality Stadium e toca "Delilah", música banida por seu conteúdo polêmico. O que isso significa para o rock e seus fãs?

Metallica desafia banimento e toca clássico proibido no Principality Stadium

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com

Metallica afronta regras do estádio em show no País de Gales

No último domingo, 28 de junho, o Metallica causou uma pequena polêmica em Cardiff, País de Gales, durante sua passagem pelo Principality Stadium. Em meio ao setlist da noite, Kirk Hammett e Robert Trujillo decidiram encarar o banimento e executaram um trecho de "Delilah", sucesso de Tom Jones que já havia sido proibido de tocar naquele palco. A provocação veio logo após "Fuel", oitava faixa do show, e não deve ter sido bem digerida pelos responsáveis pelo estádio.

O motivo por trás do veto a "Delilah"

"Delilah" era presença constante nas interrupções dos jogos de rugby no estádio e virou até um canto informal dos fãs do time nacional galês, com direito a apresentações de corais e até a participação do próprio Tom Jones antes de partidas importantes. Porém, desde 2015, o estádio retirou a música das playlists oficiais por seu conteúdo problemático: a letra descreve um assassinato motivado pelo ciúme e violência doméstica, especialmente a estrofe "Ela ficou lá rindo / Eu senti a faca na mão e ela não riu mais".

O tema voltou ao foco em 2023, quando a Welsh Rugby Union sofreu uma crise interna envolvendo acusações de sexismo, misoginia e racismo, levando à renúncia do CEO. Em meio a esse cenário, a direção do Principality Stadium reforçou o veto à canção, proibindo sua execução tanto em partidas quanto em apresentações musicais. A entidade deixou claro que repudia qualquer forma de violência doméstica e que a decisão foi tomada após consultas com especialistas no assunto.

Metallica e uma turnê histórica pelo Velho Continente

Mesmo com o histórico do local, Hammett e Trujillo mandaram ver em "Delilah" como uma espécie de improviso, o que eles chamam de "doodle", uma introdução livre para expressar influências e humor no palco. A banda está no meio de uma turnê monumental pela Europa, batendo recordes de público em vários shows, com datas seguindo até os dias 1 e 3 de julho no estádio de Londres.

Além desses shows, os americanos ainda têm uma temporada agendada para o fim do ano em Las Vegas, no The Sphere, e dois shows marcados em novembro no Mohegan Sun, nos Estados Unidos. Novas datas para o início de 2027 no Sphere também já foram anunciadas, consolidando uma agenda de peso para a atual fase do grupo.

Entre o protesto e a homenagem

A atitude do Metallica em Cardiff é típica de músicos que, mesmo após décadas de estrada, gostam de sacudir o status quo. Existe uma linha tênue entre protesto artístico e respeito às questões sociais. O veto a "Delilah" é compreensível, dada a pegada pesada da letra, mas vê-la ser tocada justamente no palco que a manteve fora das playlists oficiais deixa claro que o Metallica não vai se acovardar diante de imposições que considera arbitrárias, pelo menos no que diz respeito à sua liberdade no palco.

É uma provocação sutil, mas que funciona também como homenagem a uma tradição local e como declaração contra a censura artística. Quem acompanhou o vídeo no YouTube viu que a execução foi breve, quase um riff de brincadeira, mas potente o suficiente para reacender um debate já antigo. Com o sucesso estrondoso dessa turnê, a banda reafirma que não depende de regras para manter sua relevância.

A repercussão para o público brasileiro

O Metallica tem uma relação histórica sólida com o Brasil desde os anos 1990, quando trouxe suas primeiras grandes turnês e ajudou a consolidar o heavy metal no país. O público brasileiro é conhecido pela paixão intensa e fiel, característica que acompanha a banda até hoje. A ousadia de tocar uma música proibida em território europeu reforça o espírito rebelde que tanto agrada aos fãs por aqui, gente que sempre se mostrou aberta a discussões mais profundas dentro do gênero, sem abrir mão da energia crua do palco.

No cenário nacional, o heavy metal segue com base sólida, e bandas do porte do Metallica exercem função catalisadora tanto para novos grupos quanto para os festivais que mantêm viva a chama do gênero. A repercussão desse episódio no Principality Stadium reforça a percepção de que o metal, mesmo décadas depois, continua a provocar e a trazer reflexão, algo que a galera brasileira entende de sobra.

Fontes e referências

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