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Metallica toca 'Delilah', de Tom Jones, em show histórico no País de Gales

Por Redação RockFuel ·

No primeiro show em Cardiff em três décadas, Metallica tocou 'Delilah' — música banida de coros de rúgbi no mesmo estádio, mas nunca proibida para shows.

Metallica toca 'Delilah', de Tom Jones, em show histórico no País de Gales

No domingo, 28 de junho, o Metallica tocou pela primeira vez em três décadas no País de Gales — a última passagem da banda por Cardiff tinha sido em 1996. No Principality Stadium, oito músicas depois de "Fuel", Kirk Hammett e Robert Trujillo escolheram "Delilah", de Tom Jones, para o "doodle" da noite: o momento livre, no meio do show, em que os dois homenageiam artistas locais com um cover rápido.

A escolha carregava peso: "Delilah" foi proibida de ser cantada por coros em jogos de rúgbi no próprio Principality Stadium desde 2023, depois de já ter saído das playlists oficiais do estádio em 2015. O motivo é a letra, que descreve o assassinato de uma mulher por ciúme — a Welsh Rugby Union declarou na época que "condena qualquer forma de violência doméstica".

Um veto específico, não uma proibição geral

O banimento de 2023 tem um alcance mais estreito do que se costuma repetir: ele proíbe coros de cantarem a música durante partidas de rúgbi, não qualquer artista de tocá-la no estádio em qualquer contexto. O próprio Tom Jones já havia contestado publicamente a decisão, dizendo num show em 2023: "Vocês não podem nos impedir de cantar 'Delilah'... Eles podem impedir o coro de cantar, mas não impediram a plateia. Continuem cantando — eu também vou continuar."

Uma tradição da turnê

O "doodle" de Hammett e Trujillo já rendeu covers parecidos em outras paradas da mesma turnê: "Sonne", do Rammstein, em Berlim; "Dancing Queen", do ABBA, na Suécia; "Take On Me", do a-ha, na Noruega; e "Dirty Old Town", dos Pogues, ainda naquele mês. Trujillo assumiu os vocais de "Delilah" em Cardiff, com o público completando o refrão.

Análise RockFuel

O detalhe que a cobertura mais empolgada costuma esconder é que o Metallica não tecnicamente "burlou" nenhuma regra formal — o veto nunca dizia respeito a bandas em show, só a coros em jogo de rúgbi. O que a banda fez foi uma homenagem carregada de contexto, não um ato de desobediência civil.

Ainda assim, a escolha não foi ingênua: tocar justamente essa música, nesse estádio, treze anos depois da primeira retirada da playlist, é uma forma de comentário — mesmo que tecnicamente dentro das regras. A referência ao próprio protesto de Tom Jones em 2023 reforça isso: o Metallica não inventou a provocação, só a repetiu com o próprio Tom Jones como precedente.

Fontes e referências

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