King Buzzo fala sobre o novo desafio criativo dos Melvins com Napalm Death e as voltas da banda em 2026
Por Redação RockFuel ·
Melvins não param: novo disco em parceria com Napalm Death desafia a zona de conforto de King Buzzo e aponta para uma 2026 intensa na estrada.

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com
Quarenta anos e ainda provocando com novidades
Quem acompanha os Melvins sabe: essa é uma banda que nunca se acomodou. Em mais de quatro décadas de estrada, Buzz Osborne, o eterno King Buzzo, continua buscando caminhos para manter a música vibrante e cheia de energia. O último capítulo dessa inquietação é o disco colaborativo com o Napalm Death, que sai em 2026 sob o nome Savage Imperial Death March. O processo foi bem além de juntar faixas em estúdio: as duas bandas escreveram e gravaram juntas, criando uma nova entidade sonora.
Um processo criativo abaixo do radar
Em entrevista para o programa da Full Metal Jackie, King Buzzo confessou que não sabia exatamente o que esperar dessa união com o Napalm Death. A ideia de explorar o desconhecido é o que o motiva, ainda mais quando há pouco tempo para produzir e a incerteza sobre o resultado. "Eu sabia que ia ser legal, mas não fazia ideia do que ia sair", disse.
O ponto que Buzz deixou claro é que essa abordagem colaborativa, de dividir espaço e criar sem amarras de ego, é o que mantém o Melvins longe do comodismo. Ele ainda destacou que, apesar dos músicos já terem bastante experiência, essa mistura foi algo inédito para ele — um verdadeiro projeto conjunto, bem diferente de uma simples reunião de composições pré-existentes.
Laços profundos com Tomahawk e estabilidade na formação
Além dessa novidade, o Melvins segue na ativa na estrada, reforçando a parceria histórica com o Tomahawk. A turnê conjunta pelos Estados Unidos em 2026 retorna a uma colaboração que já vem desde os anos 2000. Buzz destaca especialmente a amizade com Trevor Dunn, baixista que transita entre as duas bandas. Eles chegaram a fazer uma extensa turnê acústica pelos EUA e Europa, evidenciando a sintonia musical e pessoal do grupo.
Quanto à formação, apesar das mudanças ao longo dos anos, a presença de Dale Crover na bateria ao lado de Coady Willis reforça a identidade do grupo desde 1984. Completa o time o baixista Steve McDonald, ex-Redd Kross, cuja entrada trouxe frescor e técnica valorizados por Buzzo. O formato com dois bateristas é visto por ele como um desafio, mas com recompensas sonoras evidentes, e a ideia é manter essa dinâmica para os próximos lançamentos.
O tamanho da trajetória e a busca constante por frescor
Melvins não é qualquer banda. São 29 álbuns de estúdio desde 1986, além de inúmeras colaborações, EPs e registros ao vivo que mostram uma prolixidade criativa que poucos conseguem. Buzz não se acomoda, e o compromisso dele é com a honestidade no processo. Para ele, projetos como esse com o Napalm Death são exercícios que revigoram o interesse, chegam a resultados inesperados — e é justamente aí que nasce a motivação para continuar.
Ele também comentou sobre o impacto da colaboração com Barney Greenway, vocalista do Napalm Death, que deu um toque especial ao projeto, elevando o material a um patamar que não existia antes no processo.
Novidades para a agenda e algo novo no forno
A movimentação não para. Após a turnê dos Melvins com Tomahawk, eles ainda irão participar do Sick New World Festival e outros eventos que ainda serão anunciados. Para 2027, há planos para lançamentos, incluindo um trabalho focado na bateria dupla, que deve estrear em breve. Além disso, Buzz promete novidades ainda não divulgadas, fruto de um novo trabalho com parceiros que o frontman garante que vai despertar interesse.
Análise RockFuel
O que se vê com King Buzzo e os Melvins em 2026 é um exemplo claro de resistência criativa no rock pesado. Trata-se de aceitar o risco da experimentação e da parceria, em vez de viver do passado. O disco com Napalm Death escapa daquele clichê de "juntar duas bandas e fazer um álbum", pois implica um processo coletivo que destrói egos e abre espaço para o inesperado. Essa atitude é rara na cena contemporânea, geralmente saturada de projetos paralelos que não passam de sobreposição de composições.
Além disso, a insistência na formação com dois bateristas mostra uma proposta musical ousada que desafia padrões e entrega uma complexidade rítmica pouco vista. Para quem conhece a carreira dos Melvins, esses movimentos animam mais do que espantam, por mostrarem que, mesmo com mais de quatro décadas de estrada, o grupo segue disposto a virar a mesa e bagunçar tudo.
Essa história toda também ressalta o valor do coletivo na música pesada: colaboradores que entram e saem, misturas de gerações e estilos, sempre com o respeito pela música em primeiro lugar. É algo que o rock nacional também pode absorver, especialmente na cena mais pesada, onde muita coisa ainda depende do espírito DIY e da troca autêntica.
Relevância para o público brasileiro
Mesmo sem registros recentes de turnês dos Melvins pelo Brasil, sua influência ressoa fundo no underground pesado daqui há décadas. A base de fãs brasileiros do rock extremo e experimental sempre soube reconhecer o peso e a originalidade que Buzzo e companhia carregam — uma sonoridade que dialoga diretamente com o grunge e o metal mais denso, gêneros que encontraram terreno fértil por aqui.
O lançamento de Savage Imperial Death March ao lado do Napalm Death, outra banda com legião de seguidores no Brasil, só amplia o interesse. Para a cena nacional, que cresce consistentemente no âmbito do rock pesado, esse tipo de colaboração serve também de referência: música feita sem concessões, com coragem criativa e sem prazo de validade.