King Buzzo fala sobre o novo desafio criativo dos Melvins com Napalm Death e as voltas da banda em 2026
Por Redação RockFuel ·
A apuração encontrou o dado que faltava: o álbum com o Napalm Death já foi lançado, não é lançamento futuro — e o nome do disco vem de turnês reais das duas bandas em 2016 e 2025.

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com
Quarenta anos depois, ainda experimentando
King Buzzo não amoleceu com o tempo. Em entrevista ao programa de rádio da Full Metal Jackie, o vocalista e guitarrista do Melvins falou sobre Savage Imperial Death March, o álbum colaborativo com o Napalm Death: lançado em versão limitada em vinil em fevereiro de 2025 e relançado em versão ampla pela Ipecac Recordings em 10 de abril de 2026.
O nome do disco não é aleatório: vem das próprias turnês conjuntas que Melvins e Napalm Death fizeram em 2016 e 2025, batizadas exatamente assim. São oito faixas gravadas no Sound of Sirens Studios, em Los Angeles, com Buzz Osborne e Dale Crover, do Melvins, ao lado de Barney Greenway, Shane Embury e John Cooke, do Napalm Death.
Uma colaboração real, não uma soma de faixas
Buzzo contou que dois integrantes do Napalm Death, Shane Embury e John Cooke, foram até o estúdio do Melvins para compor e gravar junto — sem dividir quem trouxe o quê. "Eu sabia que ia ser legal, mas não fazia ideia do que ia sair", disse ele sobre o processo. Depois de pronto, o material foi enviado a Barney Greenway, que gravou os vocais e, segundo Buzzo, elevou o resultado a outro patamar.
A amizade entre as bandas é antiga: Buzzo acompanha o Napalm Death desde a primeira turnê deles pelos Estados Unidos, no fim dos anos 80. Os dois grupos já dividiram uma grande turnê americana em 2016 — organizada com esforço pessoal de Buzzo junto à agência de booking — e outra ainda maior em 2025, com mais de 50 shows, que o próprio baterista do Napalm Death brincou ter sido "umas cinco semanas mais longa do que eu gostaria".
De volta com o Tomahawk
Antes da parceria com o Napalm Death, Buzzo falou sobre a turnê americana de 2026 ao lado do Tomahawk — quatro semanas pelos Estados Unidos, sem passar pelo Japão desta vez, encerrando com dois shows no The Belasco, em Los Angeles. A última vez que as bandas tocaram juntas tinha sido cerca de 20 anos atrás, numa turnê pela Austrália ao lado do Fantomas.
Buzzo também mencionou o baixista Trevor Dunn, que transita entre Melvins e Tomahawk: os dois fizeram uma turnê acústica pelos EUA e pela Europa há quase dois anos, e Buzzo espera repetir a parceria — dessa vez com Dunn no contrabaixo, e com a esperança de que integrantes do Tomahawk subam ao palco para tocar junto nos shows desta turnê.
A formação atual e o que vem a seguir
A base do Melvins segue sendo Dale Crover na bateria, ao lado de Buzzo desde 1984. Coady Willis divide a bateria como segundo integrante fixo, e Steve McDonald, ex-Redd Kross, assina o baixo. Buzzo descreveu os três como parceiros de primeira linha numa carreira que já passa de 40 anos.
Depois da turnê com o Tomahawk, o Melvins toca no Sick New World Festival e em outras datas ainda não anunciadas. Para o próximo disco, Buzzo confirmou que a formação com dois bateristas continua — e que o novo álbum, ainda sem data, será centrado justamente na dinâmica das duas baterias. Ele também deixou no ar um projeto novo, "com uns caras", que ainda não pode revelar.
Análise RockFuel
O que chama atenção nesse relato de Buzzo não é só a disposição de experimentar aos 40 anos de carreira — é a origem real da colaboração. Não foi uma parceria de ocasião: vem de uma amizade que Buzzo cultiva desde o fim dos anos 80, passou por duas turnês conjuntas de peso (2016 e 2025) e só então virou disco. O título do álbum sendo emprestado das próprias turnês reforça isso: não é marketing, é histórico real virando obra.
A insistência no formato de dois bateristas, mantida para o próximo lançamento, também mostra uma banda que não está repetindo fórmula por segurança — está dobrando a aposta numa ideia que já rendeu resultado. Para quem acompanha o Melvins, esse tipo de movimento é a norma, não a exceção.