Kim Thayil revela bastidores do Soundgarden e fala sobre o luto de Chris Cornell em sua nova autobiografia
Por Redação RockFuel ·
Kim Thayil, guitarrista do Soundgarden, abre o jogo sobre a história da banda, o grunge em Seattle e o impacto da perda de Chris Cornell em sua nova autobiografia.

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com
Kim Thayil e a trajetória do Soundgarden sob seu olhar
O guitarrista Kim Thayil está lançando sua autobiografia A Screaming Life: Into the Superunknown With Soundgarden and Beyond, que chega às livrarias em 9 de junho. No livro, ele revisita desde sua origem étnica até a gênese do cenário grunge em Seattle, passando pela escalada do Soundgarden rumo à fama, os anos sombrios após a separação da banda em 1997, o reencontro em 2010 e o impacto devastador da morte de Chris Cornell.
Em entrevista ao Loudwire, Thayil revelou não só histórias da fase inicial do grupo, mas também os desafios internos e pessoais que se seguiram à popularidade. É o relato raro de um músico que sempre preferiu o som às palavras — e que, aqui, enfrenta a própria vulnerabilidade para contar sua verdade.
Entre o silêncio e o retorno
Quem acompanha a história do Soundgarden sabe que o hiato de 13 anos entre o fim em 1997 e a reunião em 2010 foi um período cheio de incertezas. Thayil explicou que aquele intervalo foi marcado por uma busca silenciosa de identidade, e que o ambiente interno da banda mudou completamente depois que o sucesso os alcançou. O lançamento de King Animal em 2012, primeiro álbum após o retorno, representa não só uma tentativa de resgatar o espírito da banda, mas também um fechar de ciclo que carregava o peso da saudade de Cornell.
Revisitar a morte do vocalista foi uma das partes mais difíceis do processo de escrever o livro, segundo o próprio Thayil. Apesar de já ter falado sobre isso publicamente diversas vezes, ver tudo exposto em palavras escritas e estruturadas causou um impacto renovado. Ele conta que até a última versão do texto, meses antes do lançamento, ainda sentia o baque emocional de reler esses capítulos.
O livro além dos clichês do grunge
Sem fugir das dificuldades pessoais e profissionais, a autobiografia é também um documento importante sobre o grunge para além dos clichês. Seattle aparece com suas contradições e vitalidade, enquanto o Soundgarden se configura como uma banda que nem sempre se sentiu confortável com o termômetro da fama, mas buscou sua própria voz dentro e fora da cena.
A confiança construída entre Thayil e o coautor Adem Tepedelen — amigo e jornalista musical — permitiu uma narrativa honesta, sem meias palavras. Mais do que um livro para fãs do grupo, a obra conecta contexto social, musical e emocional para quem quer entender o peso de ter vivido e crescido numa época tão complexa.
Análise RockFuel
Para quem viveu o auge do grunge nos anos 90, ouvir Thayil agora é ganhar uma nova chave para revisitar todo um universo. Não é só um relato de glórias e percalços da banda — é um mergulho íntimo nas sombras deixadas pela perda de Chris Cornell, um dos maiores nomes da música americana.
O guitarrista deixa claro que o sucesso mudou a química do grupo, sem idealizações. A forma como ele encara o luto, ainda presente mesmo com o passar dos anos, entrega um retrato sincero e sem glamour das dificuldades de perder um irmão de banda. Essa honestidade, e o cuidado com cada palavra, é o que diferencia A Screaming Life da maioria das memórias do rock.
A Screaming Life não é um livro só para devotos do metal ou do grunge — serve para qualquer um que queira entender os bastidores reais do rock, sem pose.
No Brasil, a morte de Chris Cornell em 2017 provocou uma onda de comoção que revelou o peso do grunge na formação de toda uma geração. O Soundgarden nunca tocou oficialmente por aqui, mas sua música atravessou fronteiras com uma intensidade que fez do Brasil um dos países onde o luto foi mais sentido — e onde qualquer registro novo sobre a banda ainda desperta atenção genuína.
Com informações de Interview - Kim Thayil on His Memoir, Soundgarden Stories + Grief.