Floor Jansen retoma suas raízes no metal com novo single ‘Run’
Por Redação RockFuel ·
Floor Jansen lança 'Run', single que marca seu retorno às raízes pesadas do metal após seu debut solo. Em live, ela fala sobre evolução na composição e parceria criativa.

Imagem: Foto: Reprodução / metal-hammer.de
Do Nightwish ao solo: a evolução de Floor Jansen
Floor Jansen não para quieta. A voz por trás do Nightwish, aos 45 anos, acaba de lançar o single "Run", acompanhado de videoclipe, e já adianta que a faixa é o primeiro aperitivo do próximo álbum solo. Em uma live no YouTube realizada no dia 10 de julho, ela respondeu perguntas de fãs e falou abertamente sobre seu processo de composição e os rumos musicais que tem seguido desde que estreou na carreira solo com Paragon, em 2023.
Uma jornada de redescoberta artística
Segundo Floor, voltar ao trabalho solo representou uma reaproximação com o que ela sente ser sua essência no metal. A cantora revelou que, durante o período mais intenso com o Nightwish, seu lado compositora acabou ficando em segundo plano. "Senti que minha voz evoluiu, mas a escrita de músicas estava meio parada", explicou. Paragon foi a tentativa de construir algo distinto do que ela já havia feito com o grupo finlandês — uma nova identidade, sem abrir mão das raízes.
O papel da parceria criativa
Para esse segundo álbum, Floor voltou a trabalhar com Gordon Groothedde, mesmo produtor e parceiro de composição de Paragon. A sintonia entre os dois, segundo ela, facilita o processo criativo de um jeito quase intuitivo. "Não precisamos falar muito para nos entendermos. Muitas vezes estamos pensando a mesma coisa", conta. Esse entrosamento resultou em um som mais coeso, com canções como "Run" que têm estrutura clara — início, meio e fim — algo que, nas palavras dela, não é tão comum em seus trabalhos anteriores.
Uma volta ao metal intenso e melancólico
Musicalmente, Floor afirma que segue uma linha mais pesada, retomando a melancolia característica do metal tradicional. "A essência está no peso da música. Estou voltando para minhas raízes na cena metal", garante. Ainda assim, ela procura trazer essa densidade sem abrir mão da objetividade nas composições — um equilíbrio que parece agradar tanto ao público do Nightwish quanto aos fãs de sua carreira solo.
Análise RockFuel
A trajetória solo de Floor Jansen é interessante justamente porque revela uma artista em busca de equilíbrio entre sua identidade individual e a influência poderosa que uma banda como o Nightwish exerce sobre seu som. "Run" e o futuro álbum mostram uma Floor mais confortável no papel de compositora, que assume riscos e traz experiências pessoais para o centro da cena, em vez de se limitar a interpretar a música criada em equipe.
A parceria com Gordon Groothedde joga claramente a favor desse amadurecimento. A facilidade de comunicação entre os dois ajuda a moldar uma sonoridade que conhece suas raízes no metal sem se apegar a fórmulas consagradas. Floor troca o excesso de complexidade por músicas diretas, carregadas de peso e emoção — algo que deve ressoar fundo em quem valoriza autenticidade no heavy metal contemporâneo.
A espera pelo segundo disco solo é legítima. Entre Nightwish, o trabalho solo e colaborações diversas, ela construiu um percurso sólido. Este projeto, agora mais alinhado e confiante, pode expandir ainda mais o alcance da artista e mostrar novas facetas de seu compromisso com a música pesada.
Relevância para o público brasileiro
Floor Jansen e o Nightwish têm uma base de fãs robusta no Brasil, país onde o metal cresce em popularidade há décadas. Embora a vocalista não tenha um histórico extenso de shows solo por aqui, o público brasileiro acompanha de perto sua trajetória com o grupo finlandês e seus lançamentos independentes. A mistura de metal gótico e sinfônico que marca o Nightwish sempre encontrou terreno fértil no país, com fãs que respondem com entusiasmo genuíno a qualquer novidade do gênero.
Uma virada para um som mais pesado e direto, como o prometido por Floor neste novo ciclo, tem tudo para alimentar ainda mais esse interesse. Afinal, o Brasil é um dos mercados mais receptivos ao metal europeu e suas vertentes, presença constante nos principais festivais e eventos nacionais.