Ex-guitarrista do Turnstile será julgado por tentativa de homicídio em acidente grave
Por Redação RockFuel ·
Brady Ebert, ex-guitarrista do Turnstile, enfrentará julgamento por tentativa de homicídio após atropelar o pai do vocalista em 2025. A confusão expõe uma crise que ultrapassa os limites da música e abala a própria cena hardcore.

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com
Brady Ebert enfrenta julgamento por episódio violento em 2025
Brady Ebert, ex-guitarrista do Turnstile, tem data marcada para seu julgamento após ser acusado de tentativa de homicídio e agressão em um episódio grave ocorrido em março de 2025. Segundo as investigações, ele teria atropelado William Yates, pai do vocalista Brendan Yates, durante uma disputa que terminou com o homem hospitalizado e submetido a cirurgia.
O caso corre na Corte de Circuito de Rockville, Maryland, com julgamento agendado para começar em 5 de outubro e previsto para durar até o dia 7. O juiz John M. Maloney presidirá o processo, que pode resultar em pena severa dada a gravidade das acusações.
A dinâmica do episódio e os desdobramentos legais
De acordo com o relatório da polícia do Condado de Montgomery, Ebert teria chegado à residência do pai de Brendan, iniciado uma discussão com vizinhos e, em seguida, retornado ao local para atropelar William, causando traumas severos nas duas pernas da vítima. O fato de William ter 79 anos torna o episódio ainda mais perturbador.
Inicialmente, Ebert respondia a uma acusação de homicídio em segundo grau, com risco de até 30 anos de prisão. A acusação foi elevada para tentativa de homicídio em primeiro grau, crime que pode resultar em prisão perpétua. Ele também responde por tentativa de homicídio em segundo grau, agressão em primeiro grau e duas acusações de agressão em segundo grau.
Ebert não faz mais parte do Turnstile desde agosto de 2022. O afastamento veio após uma série de incidentes com comportamento problemático, a própria banda falou publicamente sobre o assunto, explicando que tentou oferecer suporte, mas precisou estabelecer limites pelo bem do grupo e da comunidade. Ameaças e atos violentos foram apontados como o fator decisivo para a separação.
O legado musical e a repercussão do caso
Brady Ebert foi figura central na formação do Turnstile, banda que ajudou a fundar em 2010. Participou de três álbuns do grupo, incluindo o aclamado Time & Space (2018) e o indicado ao Grammy Glow On (2021). Sua saída gerou burburinho entre os fãs justamente por se tratar de um dos arquitetos do som que misturava hardcore e pós-punk de forma tão particular.
A trajetória de Ebert é um contraste difícil de ignorar: de cofundador de uma das bandas mais celebradas do hardcore contemporâneo a réu em um caso de tentativa de homicídio. O episódio mancha uma história que muitos admiravam e levanta questões que vão além da música.
Entre a arte e a conduta
Essa notícia transcende uma simples atualização judicial. É uma constatação dura de como conflitos pessoais podem destruir carreiras que pareciam sólidas, e, mais do que isso, causar dano real a pessoas reais. A agressão relatada não deixa margem para relativizações. Ao mesmo tempo, o posicionamento do Turnstile ao expulsar Ebert ainda em 2022, mesmo sendo ele um cofundador, diz algo sobre a postura do grupo diante de comportamentos tóxicos. Foi um passo doloroso, mas necessário.
A decisão judicial que se aproxima certamente reforçará o debate sobre saúde mental, violência e os limites da convivência em cenas musicais intensas e interconectadas. O veredito, qualquer que seja, deixará marca na narrativa em torno da banda.
O peso do caso para o público brasileiro
O Turnstile pode não ter uma vasta trajetória de shows no Brasil, mas a banda construiu uma base fiel no país entre os fãs de hardcore, rock pesado e cenas alternativas. O Brasil tem uma história forte com o hardcore, uma cena que sempre valorizou autenticidade e postura, dentro e fora do palco.
Por isso, esse episódio ressoa de forma particular entre os fãs brasileiros, que acompanham de perto não só a música, mas o comportamento dos artistas que admiram. A divisão entre o apreço pelo legado musical e o repúdio à violência é um debate que a comunidade rocker nacional conhece bem, e que casos como esse voltam a colocar em evidência.