ROCKFUEL

Deep Purple e os bastidores do revival sonoro com SPLAT!

Por Redação RockFuel ·

Ian Gillan revela como mudanças na produção e na formação reacenderam o som pesado do Deep Purple em seu novo álbum SPLAT!.

Deep Purple e os bastidores do revival sonoro com SPLAT!

Imagem: Foto: Reprodução / metal-hammer.de

Um novo sopro para uma lenda do rock

Depois de décadas influenciando gerações, o Deep Purple parece viver uma espécie de segunda juventude com o álbum SPLAT!, lançado recentemente. Em entrevista à METAL HAMMER na edição de julho de 2026, Ian Gillan, vocalista veterano da banda, abriu o jogo sobre as transformações que reacenderam o som pesado e deslocaram o grupo para uma sonoridade mais potente e organizada.

A fórmula por trás do som renovado

Segundo Gillan, o principal responsável pelo novo respiro foi o produtor Bob Ezrin, figura já conhecida por seu método rigoroso em estúdio. Desde a entrada de Ezrin no processo, a banda parou de olhar apenas para si e passou a enxergar a música como um todo, focada no impacto final e não no ego dos músicos.

"O som voltou a ser pesado, forte e sólido", afirma o vocalista, que nota como os arranjos, antes desenhados apenas internamente e de forma um tanto amadora, ganharam corte e foco. Ezrin tem o poder de decidir o que funciona ou não, e isso fez o projeto todo soar mais enxuto e fresco.

Mudança na química do grupo

Não é só a produção que mudou. O afastamento do guitarrista Steve Morse e a chegada de Simon McBride mexeram bastante com a dinâmica interna. A mistura do rock sulista americano de Steve com a pegada britânica de Simon trouxe uma energia diferente para o Deep Purple contemporâneo.

McBride, que aos 47 anos é o mais jovem do sexteto, impressiona pelo entendimento profundo do DNA da banda, algo raro mesmo para quem está há muito tempo na estrada. Ian destaca que Simon não só contribui tecnicamente, como também motiva o grupo pessoalmente, funcionando quase como um catalisador da banda.

SPLAT! e a evolução em meio à tradição

A despeito dessas mudanças, o processo de composição permanece fiel ao jeito clássico do Deep Purple: intenso, respeitando a história, mas disposto a experimentar conforme as demandas atuais. Ian avisa que temas e letras se beneficiaram de mudanças de perspectiva e uso preciso de termos, o que torna as músicas mais relevantes e acessíveis, mesmo que o conteúdo seja desafiador.

Análise editorial

O que essa entrevista deixa claro é que o Deep Purple não se contentou em viver de glórias passadas. SPLAT! é o resultado de uma decisão consciente: trazer uma voz externa capaz de cortar o que não funciona e uma troca de membros que foi, acima de tudo, estratégica. No fundo, o que vemos é uma banda que respeita seu passado, mas não se prende a ele, entendendo que a sobrevivência no rock pesado exige reinvenção constante, mesmo para ícones.

Impacto para o público brasileiro

No Brasil, o Deep Purple tem raízes profundas, com público fiel que acompanha a carreira desde os anos 70, época em que o peso do rock britânico encontrou solo fértil por aqui. O grupo é reconhecido como um dos pilares do hard rock e do heavy metal mundial, e essa renovação sinalizada em SPLAT! chega num momento em que os fãs brasileiros, sempre atentos e exigentes, valorizam veteranos que ainda têm algo a dizer. Para uma cena que não perdoa acomodação, Deep Purple parece ter feito a escolha certa.

Fontes e referências

← Mais notícias