Corey Taylor e sua ‘força superior’: como o vocalista do Slipknot encontra paz antes de subir ao palco
Por Redação RockFuel ·
Corey Taylor, voz inconfundível do Slipknot, revela seu ritual antes dos shows: uma força superior que mistura tudo para ajudá-lo a domar a raiva e encontrar equilíbrio.

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com
Corey Taylor e a batalha interna antes do show
Corey Taylor, o vocalista do Slipknot, é conhecido pela fúria visceral que imprime em cada performance ao vivo. Mas por trás da máscara e do caos no palco, o cantor revelou recentemente em entrevista ao podcast Last Meals, do canal Mythical Kitchen, uma faceta mais introspectiva e até espiritual.
Taylor contou que tem um ritual antes de cada apresentação: entregar seu estado emocional a uma "força superior", algo que ele chama de "Lord Mother". Um conceito pessoal que traduz uma mistura de elementos complementares, uma espécie de yin e yang que o ajuda a encontrar equilíbrio antes de encarar o palco.
De onde veio essa crença e o que ela significa
Ao longo dos anos, Taylor enfrentou batalhas internas pesadas, envolvendo ego, vícios e crises pessoais. O processo terapêutico que atravessou o levou a reconhecer a importância da gratidão, não apenas para a própria sanidade, mas para as relações com as pessoas ao redor. No programa de recuperação que frequenta, é incentivado a se conectar com uma força maior, mas Taylor não se identifica com as religiões tradicionais e prefere uma visão mais ampla, sem amarras dogmáticas.
Ele explicou que seu "Lord Mother" é uma entidade que incorpora o princípio de tudo que existe, funcionando como o início e o fim, a força que permeia o universo. Comparou essa sensação ao alívio de um vento numa tarde quente de verão ou ao sabor calmante de um chá gelado. Esse ritual elevou sua capacidade de deixar a raiva no palco, e não carregá-la para a vida fora dele.
O alívio pós-show e o resgate da humanidade
Após anos detonando shows em estado de rage puro, Taylor aprendeu a desacelerar. Ele descreve um momento específico: ainda suado, com maquiagem e máscara, já no caminho para o hotel, faz uma meditação focada na gratidão para se reencontrar. Essa prática o ajuda a não habitar a raiva como lugar permanente, mas como uma visita que precisa ter hora para acabar. É regulação emocional na prática, uma ferramenta concreta para sobreviver ao turbilhão dos concertos e à intensidade que sua persona no Slipknot exige.
Além disso, Corey falou sobre uma lição dura, mas fundamental: apreciar as pessoas pelo que elas são, especialmente quando não há interesse ou ganho pessoal envolvido. Ele admitiu que isso não era natural para ele, sobretudo por conta do ego e da luta contra o alcoolismo e outros vícios. Entender que o amor pelo outro precisava ser mostrado e celebrado foi decisivo para seu crescimento.
Slipknot hoje e o momento do vocalista
Atualmente, tanto Corey Taylor quanto o Slipknot estão em uma pausa, sem shows marcados no calendário. Desde o lançamento de álbuns como We Are Not Your Kind (2019), a banda segue sendo um colosso do metal, influenciando gerações com sua mistura intensa de caos e emoção. O cuidado de Taylor com seu equilíbrio mental antes e depois dos shows revela que o verdadeiro monstro no palco, apesar da aparência e do som ensandecido, tem sua humanidade no controle.
Análise
O que chama atenção nessa revelação é a normalização de um processo emocional complexo e muitas vezes estigmatizado. Em um meio onde a imagem é bastante ligada a excessos e rebeldia, ver uma figura como Corey Taylor construindo um conceito próprio de espiritualidade, sem se apegar à religião formal, é um respiro de autenticidade. O vocalista aproxima a arte do metal de um entendimento real da condição humana: a raiva é parte da expressão, mas não deve dominar a vida.
A prática da gratidão como ferramenta de equilíbrio diante da brutalidade das turnês evidencia o quanto artistas desse porte precisam de estratégias para preservar sua saúde mental. Taylor, mesmo com um histórico marcado por episódios de turbulência, mostra maturidade ao dividir com o público essa dimensão mais íntima, quase terapêutica.
Relevância para o público brasileiro
No Brasil, o Slipknot já protagonizou shows memoráveis, especialmente em festivais de grande porte como o Rock in Rio e em turnês que deixaram marca na história do metal nacional. A receptividade ao metal extremo é forte e crescente por aqui, com uma legião de fãs dedicados que acompanham a banda não apenas pela brutalidade sonora, mas pelo peso emocional que ela carrega.
Essa fase mais pessoal de Corey Taylor certamente ressoa com muitos desses fãs brasileiros, que reconhecem nas batalhas do vocalista um reflexo das próprias lutas, e encontram na música pesada um espaço legítimo de catarse e autoconhecimento.