As 11 covers que o Foo Fighters mais mandou nos palcos: homenagens que dizem tudo sobre a banda
Por Redação RockFuel ·
Cada cover no repertório do Foo Fighters carrega uma história real. A apuração encontrou três músicas com nome errado no ar e uma conexão brasileira que passou batida.

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com
Foo Fighters e a tradição de covers como homenagem
Quem acompanha shows do Foo Fighters sabe: uma cover no repertório é quase garantia. Dave Grohl e companhia sempre usaram essas execuções para homenagear influências reais, não como improviso para agradar o público. Segundo dados do Setlist.fm, a banda tem covers que passaram de 170 execuções ao longo da carreira — números que mostram um padrão, não uma exceção.
Os covers mais tocados, em ordem de execuções
Abrindo a lista, "Tie Your Mother Down", do Queen, foi tocada 36 vezes, estreando em 14 de outubro de 2005 na Continental Airlines Arena, em Nova Jersey. O baterista Taylor Hawkins, morto em 2022, costumava assumir o vocal nessas execuções — ele disse à revista Mojo, em 2019, que o álbum ao vivo Live Killers, do Queen, foi sua "bíblia da bateria" quando aprendia o instrumento.
"Let There Be Rock", do AC/DC, soma 47 execuções e estreou em 28 de janeiro de 2015 — no Mineirão, em Belo Horizonte. Quando o guitarrista fundador do AC/DC, Malcolm Young, morreu em 2017, Grohl publicou um tributo no Facebook oficial da banda descrevendo o impacto que o filme concerto Let There Be Rock (1980) teve sobre ele quando jovem.
"Under My Wheels", de Alice Cooper, tem 56 execuções, estreando em 7 de novembro de 2017. A homenagem nasceu de um episódio real: no Halloween daquele ano, Grohl se vestiu de David Letterman para apresentar o Jimmy Kimmel Live e entrevistou Cooper, contando um pesadelo de infância causado por imagens dos shows do artista.
"Down in the Park", da Tubeway Army (banda de Gary Numan), aparece 67 vezes, tocada pela primeira vez em 25 de abril de 1995. A cover nasceu da participação do Foo Fighters na coletânea Songs in the Key of X, de 1996, tributo à série X-Files.
"In the Flesh?", do Pink Floyd — faixa que abre o álbum The Wall, de 1979 —, foi tocada 72 vezes entre setembro de 2011 e novembro de 2015, quase sempre com Hawkins nos vocais.
"Young Man Blues", composta por Mose Allison e popularizada pelo The Who a partir de 1968, entrou no repertório do Foo Fighters só em 2008 e já soma 83 execuções. Em 2011, na premiação NME, Grohl convidou Roger Daltrey, vocalista do The Who, para cantá-la ao vivo com a banda.
"Breakdown", de Tom Petty and the Heartbreakers, tem 96 execuções desde maio de 2011. A escolha carrega uma curiosidade real: em 1994, Grohl chegou a tocar bateria com Petty no Saturday Night Live, e recebeu convite para entrar na banda em definitivo — recusou.
"Winnebago", do próprio projeto solo de Grohl, o Late!, estreou em 19 de fevereiro de 1995 e soma 134 execuções. A faixa vem do álbum-cassete Pocketwatch (1992), gravado quase sozinho por Grohl entre as sessões de Nevermind, do Nirvana.
"Marigold", também do Late!, começou como "Color Pictures of a Marigold" no mesmo Pocketwatch, foi regravada com o baixista Krist Novoselic e virou lado B do single "Heart-Shaped Box". Estreou ao vivo em 26 de outubro de 1997 e já foi tocada 137 vezes.
"Gas Chamber", do Angry Samoans, soma 146 execuções desde outubro de 1995. Grohl contou à BBC, em 2021, que uma fita demo do projeto que viraria o Foo Fighters chegou às mãos de Eddie Vedder, que a tocou na Self-Pollution Radio, transmissão pirata organizada pelo Pearl Jam — ao lado de "Exhausted", faixa do primeiro disco do Foo Fighters.
No topo, com 177 execuções, está "Under Pressure", dueto de Queen e David Bowie. Era o momento em que Hawkins deixava a bateria para assumir o microfone. A última vez que a banda tocou a música foi em 17 de agosto de 2021 — sete meses antes da morte do baterista, em março de 2022.
A estreia que aconteceu no Brasil
Um dado que passou batido na cobertura original: o cover mais tocado do AC/DC pelo Foo Fighters, "Let There Be Rock", estreou ao vivo no Brasil, no Mineirão, em Belo Horizonte, em janeiro de 2015 — dois anos antes da morte de Malcolm Young. A homenagem ao guitarrista não nasceu daquele show, mas o histórico da música com o público brasileiro é anterior e real.
Análise RockFuel
O hábito do Foo Fighters de encaixar covers nos shows não é nostalgia gratuita: é a banda mostrando de onde vem. Cada escolha carrega uma história específica — um pesadelo de infância, uma vaga na banda recusada, uma fita demo que passou de mão em mão. Nenhuma dessas covers precisa de explicação inflada, porque o fato, sozinho, já sustenta a matéria.
O caso mais revelador é justamente o do AC/DC: a versão que rodou antes atribuía a estreia da música a uma homenagem póstuma a Malcolm Young, quando a cronologia real mostra o contrário — a música já fazia parte do repertório havia dois anos quando ele morreu. É a diferença entre contar uma boa história e contar a história certa.