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Álbum perdido do Deftones, 'Eros', vaza e divide fãs entre curiosidade e respeito

Por Redação RockFuel ·

Material incompleto e carregado de emoção do álbum 'Eros' do Deftones vazou, dividindo fãs entre o desejo de ouvir e o respeito ao legado da banda.

Álbum perdido do Deftones, 'Eros', vaza e divide fãs entre curiosidade e respeito

Imagem: Foto: Reprodução / loudwire.com

O que aconteceu com 'Eros'?

Recentemente, o nome Deftones voltou ao centro das atenções após o vazamento de material pertencente ao álbum Eros, projeto engavetado desde 2008. Além de algumas demos inéditas do álbum Ohms, o que agitou mesmo foi essa coleção de 11 faixas que nunca chegaram a ser oficialmente lançadas. Nomes como "Destiny", "Brenda", "Melanie" e "Smile" ressurgiram na rede, despertando desde empolgação até um debate intenso sobre a responsabilidade ética de ouvir esse conteúdo.

De onde veio 'Eros' e por que nunca saiu?

Na história do Deftones, Eros representa um período complicado. O disco estava em produção para suceder o álbum Saturday Night Wrist (2006). Porém, tudo mudou quando, em novembro de 2008, o baixista Chi Cheng sofreu um grave acidente de carro em Santa Clara, Califórnia, que o deixou em estado de coma por anos até seu falecimento em 2013.

Em respeito à recuperação de Chi e ao peso emocional daquele momento, a banda decidiu abandonar o material que vinha sendo produzido para Eros. No começo de 2009, o baixista Sergio Vega, do Quicksand, entrou para a formação e o grupo retomou o trabalho em uma nova direção, resultando no aclamado álbum Diamond Eyes.

Fãs divididos entre ouvir ou respeitar

O vazamento provocou reação imediata dentro da comunidade. No Reddit, vários tópicos surgiram discutindo não só a qualidade das músicas, muitas delas incompletas, mas também a questão moral de consumir algo que a banda optou por não finalizar ou divulgar. Como lembrou um usuário, aquele material é "o fantasma do amigo deles", uma referência direta a Chi Cheng, cuja memória está intrinsecamente ligada ao projeto.

O vocalista Chino Moreno já havia comentado que Eros dificilmente verá a luz do dia, pois exigiria revisitar um período que eles preferem deixar para trás. Muitas faixas ainda estavam em estágio inicial: instrumentos quase prontos, vocais e letras incompletas. O que vazou são rascunhos, ideias soltas, e a opinião geral dos fãs mais experientes é que julgar essas demos sem o devido acabamento não faz justiça ao trabalho da banda.

Perspectivas e reações na comunidade

Enquanto alguns apreciaram o acesso ao conteúdo e reconheceram seu valor histórico e afetivo, outros apontaram o desconforto de lidar com um trabalho tão cru. A experiência de ouvir "Brenda", por exemplo, foi emocionante para muitos, mas não sem a sensação de algo inacabado pairando no ar.

Alguns chegaram a especular se, diante do vazamento, os Deftones poderiam reavaliar a ideia de finalizar e lançar oficialmente esse material. No entanto, tanto Chino quanto os demais membros parecem decididos a focar no presente e no futuro, especialmente após o lançamento do álbum Private Music (2025) e a retomada das atividades em turnês programadas para 2026.

Análise

Para quem respira rock e metal de verdade, o vazamento de Eros traz uma reflexão difícil. Por um lado, a curiosidade de ouvir algo inédito do Deftones, uma das bandas que mais influenciou a cena nos últimos 25 anos. Por outro, o respeito à trajetória do grupo e à memória de Chi Cheng, cuja presença era fundamental naquele projeto.

Esse episódio reforça uma questão mais ampla que envolve leaks no meio musical: até que ponto o fã tem direito sobre a obra do artista? No caso de um disco inacabado, que passou por tragédias e por uma decisão clara de engavetamento, ouvir o material pode ser invasivo. Mas também funciona como uma cápsula do tempo, um registro que mostra uma fase dolorosa e sensível da banda.

Musicalmente, apesar das críticas à falta de acabamento e do tom mais contido de algumas faixas, Eros não soa desprovido da identidade que faz o Deftones ser tão único. É uma peça rara, um espelho das dificuldades e emoções que atravessaram aquela época.

O impacto para o público brasileiro

No Brasil, onde os Deftones mantêm há anos uma base fiel de fãs e um respeito consolidado No rock alternativo e no heavy metal, o vazamento de Eros desperta interesse e sentimento ambíguo. O grupo já tocou diversas vezes por aqui, e sua sonoridade ajudou a moldar parte da cena local, influenciando diretamente o surgimento e a consolidação de bandas nacionais.

A discussão sobre o conteúdo vazado ganha contornos ainda mais intensos em um país onde a relação entre fã e artista é visceral e apaixonada. A chance de acessar um material até então guardado a sete chaves é, ao mesmo tempo, um privilégio e um dilema, e poucos públicos sentem esse peso com tanta intensidade quanto o brasileiro.

O desenrolar dessa história reafirma que o relacionamento entre arte, artista e público nem sempre é simples, especialmente quando envolve perdas e escolhas tão sensíveis quanto as que marcaram o período de Eros.

Fontes e referências

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